Um homem de 42 anos foi resgatado após viver 25 dias em condições degradantes dentro de uma Kombi usada como cativeiro no Guará II. O caso veio à tona nessa quinta-feira (28/8), quando a vítima conseguiu pedir ajuda em uma agência bancária ao ser levada para sacar R$ 16 mil a mando do sequestrador.
Segundo a Polícia Civil do DF (PCDF), o homem aproveitou um momento de distração do criminoso, que o aguardava do lado de fora, para pedir ajuda a uma funcionária da limpeza. A trabalhadora, de forma discreta, trancou as portas da agência, acionou os seguranças e chamou a Polícia Militar do DF (PMDF). Rapidamente, os policiais chegaram ao local e prenderam o suspeito.
A vítima relatou que, durante quase um mês, foi mantida em condições subumanas. Era constantemente agredida com uma barra de ferro, recebia apenas uma refeição por dia e era obrigada a fazer necessidades fisiológicas no mato. Além disso, o criminoso a ameaçava de morte, chegando a levá-lo até um buraco, afirmando que o enterraria vivo caso não conseguisse dinheiro.
O homem também contou que foi forçado a realizar transferências bancárias e que, para sobreviver, começou a enviar pequenas quantias de sua própria conta, simulando fraudes para ganhar tempo. Ao longo do cárcere, sofreu um prejuízo estimado em R$ 8 mil.
De acordo com as investigações, o trabalhador de TI, natural do Pará, havia vindo a Brasília a trabalho quando conheceu uma garota de programa. Após consumir drogas e bebidas, ele adormeceu e, ao acordar, foi surpreendido por um criminoso, que assumiu o controle da situação com ajuda de comparsas.
Ainda segundo a polícia, a mulher teria repassado informações sobre a vítima ao dono do lote onde a Kombi estava estacionada, revelando que ele possuía dinheiro em conta e conhecimentos em informática.
O delegado-chefe da 4ª Delegacia de Polícia (Guará), Marcos Paulo Loures, informou que, ao ser preso, o suspeito tentou se passar por um “matuto” e negou os fatos, alegando se tratar de vingança pessoal da vítima. Contudo, testemunhos e provas apontam para a prática de cárcere privado, extorsão e tortura.
A vítima, encontrada com múltiplas lesões e hematomas, foi encaminhada ao hospital, onde recebeu atendimento médico. As investigações continuam para identificar os demais envolvidos no crime.