Quem circula pelas vias do Distrito Federal encontra um cenário cada vez mais comum: motoristas distraídos olhando para a tela do celular enquanto o carro segue em movimento. Os números de 2025 mostram que esse hábito perigoso deixou de ser exceção e virou rotina preocupante no trânsito da capital.
Levantamento do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) aponta que, ao longo do ano passado, 95.712 condutores foram autuados por dirigir segurando ou manuseando o telefone. O total representa um aumento de 24% em relação a 2024, quando 77.241 motoristas haviam sido flagrados cometendo a mesma infração.
Na prática, cada notificação registrada conta uma história parecida: um motorista que deixa de prestar atenção na via para responder mensagens, conferir redes sociais ou mexer em aplicativos de navegação. Nesse curto intervalo de distração, o carro continua avançando, cruzando faixas de pedestres, cruzamentos e corredores por onde passam motociclistas e ciclistas.
O uso do celular ao volante não afeta apenas o olhar do condutor. Muitas vezes, quem está ao telefone esquece de sinalizar com antecedência uma mudança de faixa ou conversão, ou ainda freia de forma repentina, surpreendendo os veículos que vêm atrás. Além disso, dirigir com apenas uma mão no volante reduz a capacidade de reação em situações de emergência.
Os dados do Detran-DF mostram que essa falta de atenção se reflete diretamente em outro comportamento arriscado: deixar de acionar a seta. Em 2024, 18.604 condutores foram autuados por não sinalizar manobras. Em 2025, esse número mais que dobrou e chegou a 41.981 registros, alta de 125%.
Sinalizar a intenção de entrar em uma rua, mudar de faixa ou parar o veículo é uma atitude simples, mas essencial para a comunicação entre os motoristas. A ausência desse gesto, sobretudo em vias movimentadas e em corredores por onde trafegam motociclistas, aumenta o risco de colisões laterais e traseiras, muitas vezes com consequências graves.
O Código de Trânsito Brasileiro é claro quanto às duas condutas. Dirigir segurando ou manuseando o telefone celular é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e inclusão de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação. Já deixar de indicar com antecedência a manobra pretendida, seja por gesto de braço ou pela luz indicadora de direção, é infração grave, sujeita a multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.
Mesmo com a previsão de penalidades, os números indicam que muitos condutores seguem ignorando os riscos. O Detran-DF afirma que continuará investindo em ações educativas e operações de fiscalização, reforçando a mensagem de que, no trânsito, alguns segundos de atenção ao celular podem custar uma vida inteira.









