Haddad desmente pressão por aporte bilionário no BRB

Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

Nesta segunda-feira (19/01), em Brasília, o Ministério da Fazenda divulgou uma nota oficial para negar que o ministro Fernando Haddad tenha imposto um ultimato ao Governo do Distrito Federal (GDF) para capitalizar o Banco de Brasília (BRB) em R$ 4 bilhões sob risco de intervenção federal. Segundo a pasta, não houve qualquer negociação, formal ou informal, nesse sentido com o GDF ou com a direção do banco.

A reação veio após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo afirmar que Haddad teria condicionado a continuidade das operações do BRB a um grande aporte de recursos por parte do governo local. No comunicado, a Fazenda frisou que não é o órgão responsável pela regulação do sistema financeiro, função que cabe ao Banco Central, e que, portanto, não tem competência para decidir ou ameaçar intervenções em instituições financeiras.

O episódio ganhou força porque o BRB aparece citado em meio às investigações sobre o Banco Master, instituição que entrou em regime de intervenção e posterior liquidação após suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito. As apurações conduzidas por Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público tratam de operações avaliadas em bilhões de reais e levantam dúvidas sobre o tamanho das perdas no sistema.

No centro da discussão está um banco controlado pelo GDF, com forte presença regional, cujo balanço passou a ser escrutinado por causa da exposição a operações ligadas ao Master. Em nota recente, o BRB afirmou que segue “sólido, operando normalmente” e que possui um “plano de capital” preparado para o caso de prejuízos relevantes se confirmarem, sem detalhar prazos ou valores de eventuais reforços.

Nos bastidores, integrantes do governo local admitem que diferentes alternativas são estudadas, incluindo a possibilidade de aportes públicos ou privados para reforço de capital. Até agora, porém, não há decisão oficial anunciada nem cronograma de eventual injeção de recursos. A estratégia tem sido comunicar que o banco está acompanhado de perto pelos órgãos de controle e pela própria administração distrital.

O desmentido de Haddad também busca conter o desgaste político num momento em que a saúde de bancos estaduais volta ao debate e em que qualquer sinal de intervenção federal tende a acirrar tensões com governos regionais. Ao afastar a narrativa de um “ultimato” ao GDF, a Fazenda tenta preservar a imagem de respeito à autonomia dos entes federativos e reduzir o ruído em torno da relação com o BRB.

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