Uma operação policial deflagrada na manhã desta terça-feira (03/02), em São Paulo, mira dois grupos especializados em enganar vítimas com o chamado “golpe do falso advogado”, usando dados de processos judiciais reais para dar aparência de legitimidade às fraudes.
A ação foi coordenada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 17ª Delegacia de Polícia (17ª DP), e tem como alvo duas organizações criminosas distintas, ambas com base na zona leste da capital paulista. Ao todo, a Justiça decretou cinco prisões preventivas, dez mandados de busca e apreensão e ordens de sequestro de valores, todos cumpridos nesta terça-feira.
As investigações começaram em julho de 2025, depois que dois moradores de Taguatinga passaram a receber ligações de supostos advogados. Os criminosos conheciam detalhes dos processos em nome das vítimas e exigiam o pagamento de “taxas” para a liberação de valores, como se fossem custas finais ou despesas obrigatórias. Convencidos pela falsa narrativa, os alvos do golpe transferiram R$ 30 mil e R$ 50 mil para contas indicadas pelos golpistas.
No curso da apuração, os investigadores descobriram que os grupos não acessavam as informações de forma aleatória: eles se apropriavam das senhas de advogados, obtidas em vazamentos na internet, e a partir daí faziam a recuperação de acesso ao sistema do Processo Judicial Eletrônico (PJe). Uma vez dentro da plataforma, consultavam ações em andamento no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e na Justiça Federal, selecionando processos com potencial de pagamento para sustentar o discurso fraudulento.
Com esses dados em mãos, os criminosos faziam contato com as vítimas se passando por seus legítimos representantes ou por escritórios parceiros, sempre com linguagem técnica e informações verdadeiras sobre o andamento das ações. O uso de contas bancárias de passagem e de terceiros era parte da estratégia para dificultar o rastreamento do dinheiro, o que motivou também a expedição de ordens de sequestro de valores pela Justiça.
A PCDF instaurou inquéritos distintos para cada grupo e conseguiu identificar a estrutura das duas organizações criminosas, compostas por estelionatários especializados em fraude eletrônica. Os investigados deverão responder por estelionato qualificado (fraude eletrônica), lavagem de capitais e organização criminosa, permanecendo à disposição da Justiça após o cumprimento dos mandados.













