Justiça determina medidas protetivas contra ex-conselheiro tutelar acusado de violência contra mulher no DF

Foto: Pixabay

O Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Santa Maria concedeu medidas protetivas à ex-mulher do ex-conselheiro tutelar Hessley Brito dos Santos. A decisão, atendendo a pedido do Ministério Público, foi divulgada na última segunda-feira (16/2) e tem cumprimento imediato.

A nova denúncia foi registrada em 12 de fevereiro, na 33ª Delegacia de Polícia. O caso é investigado como difamação, injúria, ameaça e violência psicológica contra a mulher, com base na Lei Maria da Penha.

Pelas medidas determinadas pela Justiça, Hessley está proibido de se aproximar da ex-companheira a menos de 300 metros, de manter qualquer tipo de contato — seja por telefone, WhatsApp ou redes sociais — e de frequentar locais ligados à vítima, como residência, trabalho, igreja e a escola dos filhos. O descumprimento pode resultar em prisão preventiva e configurar crime específico previsto na Lei Maria da Penha.

Na ocorrência registrada na Polícia Civil do Distrito Federal, a mulher relatou que manteve relacionamento com Hessley por sete anos, sendo dez anos de casamento. O divórcio ocorreu há quatro anos. O casal tem dois filhos, uma adolescente de 13 anos e um menino de 4. Segundo ela, após a separação, passou a sofrer ofensas frequentes, assim como familiares, além de encontros inesperados com o ex-marido em locais que costuma frequentar.

De acordo com o relato, a filha do casal também teria sido alvo de xingamentos e humilhações. A mãe afirma que a adolescente passou a ter medo do pai e que não deseja mais permanecer em sua companhia. O filho mais novo também teria demonstrado receio após presenciar as situações. A denunciante disse ainda que demorou a procurar a polícia por medo e por acreditar que, por conhecer a legislação, o ex-companheiro pudesse tentar reverter a guarda das crianças. Ela afirma que ele teria dito que ela “se arrependeria” caso registrasse ocorrência.

A ex-companheira declarou que não houve agressões físicas, mas relatou episódios de violência psicológica, ciúmes excessivos e intimidações ao longo do relacionamento. Segundo ela, o casamento terminou após a descoberta de uma traição. Houve uma breve tentativa de reconciliação, quando o filho mais novo ainda era recém-nascido, mas o período teria sido marcado por ofensas.

Hessley já havia sido investigado anteriormente com base na Lei Maria da Penha. Em março de 2025, ele também foi investigado por invadir o local de trabalho de outra mulher e agredi-la verbalmente. O caso foi apurado pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I.

Em 2023, o ex-conselheiro foi um dos investigados na Operação Degola, conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, que apurou suspeitas de fraude no processo de escolha de conselheiros tutelares do Distrito Federal. À época, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Santa Maria, com recolhimento de equipamentos eletrônicos para perícia. Após a operação, ele foi exonerado do cargo de gerente de Políticas Sociais da Administração Regional de Santa Maria.

Até dezembro do ano passado, Hessley atuava como técnico assistente social na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social do Distrito Federal. Conforme dados do Portal da Transparência, em dezembro de 2025 ele recebeu salário líquido de R$ 13.610,86.

 

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