Faltando pouco mais de seis meses para outubro, a disputa local vai se desenhando em torno de um eixo central: a continuidade ou não do projeto iniciado por Ibaneis em 2019.
Nesse cenário, Celina Leão não chega como “novidade”, mas como herdeira natural de um governo que pavimentou obras, programas sociais e investimentos em diversas regiões administrativas. A expectativa de que ela assuma o cargo em 28 de março, com a desincompatibilização do governador para disputar o Senado, tende a amplificar ainda mais essa vitrine administrativa.
A partir desse momento, cada agenda pública, cada inauguração e cada reunião com lideranças ganha duplo peso: é ato de governo e, ao mesmo tempo, construção de narrativa eleitoral.
Levantamentos feitos para consumo interno, circulando entre grupos políticos e interlocutores do Buriti, apontam Celina com ampla vantagem em vários cenários testados.
Não se trata apenas de “recall” de nome, mas de associação direta a um governo bem avaliado em áreas como infraestrutura, mobilidade e políticas sociais. Em linguagem simples: o eleitorado, até aqui, parece enxergar na vice-governadora a extensão de um projeto que já conhece – com menos espaço para o discurso do “salvador” e mais espaço para o argumento da continuidade.
Do ponto de vista estratégico, isso coloca os adversários numa posição defensiva: eles precisam, ao mesmo tempo, criticar o governo e convencer o eleitor de que são alternativa viável a uma gestão que, por ora, não chega fragilizada à largada eleitoral.
Um ponto pouco visível na superfície, mas muito comentado nos bastidores, é a capilaridade que Celina construiu nos últimos anos.
Ela ampliou o diálogo com o setor produtivo, circulou entre entidades de classe, abriu canal permanente com lideranças comunitárias e consolidou pontes com a base parlamentar na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Isso se traduz em algo simples: presença.
Do outro lado, os principais nomes de oposição enfrentam obstáculos distintos.
Leandro Grass, hoje referência do Partido dos Trabalhadores no DF, não consegue, segundo esses estudos internos, converter sua trajetória política em crescimento consistente nas intenções de voto. Parte do eleitorado associa sua imagem diretamente ao cenário nacional da sigla, o que ainda encontra resistência em segmentos que mantêm críticas ao governo federal.
Já José Roberto Arruda vive uma situação singular: continua influente, presente no debate público e com base fiel, mas carrega consigo a incerteza jurídica como sombra permanente. Mesmo reafirmando publicamente a própria elegibilidade, o histórico de decisões judiciais alimenta dúvida entre aliados e, principalmente, entre eleitores que buscam segurança sobre quem realmente estará na urna em outubro.
O último levantamento da Marca Pesquisas + Mercado também aponta a vice-governadora Celina Leão a frente nas intenções de voto dos brasilienses.
No primeiro cenário estimulado para governador, Celina aparece com 39% das intenções de voto. Em segundo lugar está o ex-governador José Roberto Arruda, com 19%. Leandro Grass registra 14%, Paula Belmonte 7% e Ricardo Cappelli 5%. Brancos e nulos somam 10%, enquanto 6% dos entrevistados afirmam não saber em quem votariam.
No segundo cenário, sem a presença de Arruda, a vantagem de Celina aumenta. Ela atinge 52% das citações, mais do que o dobro do segundo colocado. Leandro Grass aparece com 15%, Paula Belmonte chega a 8% e Ricardo Cappelli marca 7%. Brancos e nulos ficam em 9%, mesmo percentual dos que não souberam responder.
A pesquisa foi feita por telefone com 1.150 eleitores do DF com 16 anos ou mais, entre os dias 15 e 22 de dezembro. O plano amostral considerou proporções de sexo, idade, grau de instrução e nível econômico para espelhar o eleitorado do Distrito Federal. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o código MG-04370/2024.







