Zema protocola pedido de impeachment de Alexandre de Moraes

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (09/03), em Brasília, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), esteve no Senado Federal para protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O documento foi apresentado em nome do partido Novo e também leva as assinaturas do presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, além de deputados e senadores da legenda.

Zema usou a ida ao Congresso para endurecer o tom contra integrantes da Corte. Em coletiva, afirmou que o STF perdeu credibilidade nos últimos anos e criticou ministros que, segundo ele, agem movidos por interesses particulares. “É uma Corte que hoje não tem moral nenhuma para julgar nada. Não vejo Moraes e Toffoli com moral nenhuma para dar nenhuma decisão. São pessoas que estão ocupando cargo e seu tempo com interesse pessoal. Não são servidores públicos”, declarou.

O governador também apontou a existência de um grupo que se considera “intocável” dentro do Judiciário. “Nós temos um pequeno grupo que se julga intocável, capaz de fazer de tudo e ficar imune. Não é porque alguém julga que não pode ser julgado”, afirmou. Desde 2019, 65 processos pedindo o afastamento de Alexandre de Moraes tramitam no Congresso Nacional.

Nas críticas, sobrou espaço ainda para o Palácio do Planalto. Zema cobrou uma posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante das recentes polêmicas envolvendo ministros do STF. “O que me motivou a ser candidato em 2018 foi a roubalheira e a incompetência do PT, que destruiu Minas Gerais. E agora estamos aí assistindo novamente algo semelhante, e cadê o posicionamento do presidente também? Não vi”, disse. Para ele, “quem está calado, na minha opinião, é porque está concordando”.

O governador mirou ainda outros atores do meio jurídico, como colegas de Corte de Moraes, integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil e estudantes de Direito, que, segundo ele, permanecem omissos. “Esse pessoal tão ativo, assistindo essas aberrações nesses últimos dias, e todo mundo calado. Mas ainda bem que nós aqui do partido Novo não temos o rabo preso com ninguém, estamos aqui porque sabemos que o que foi cometido é gravíssimo e merece ser apurado”, afirmou.

Zema demonstrou preocupação com os reflexos da crise institucional na imagem externa do país. “Isso é pelo bem do Brasil, é pelo bem das instituições. Na transparência internacional, com esses últimos fatos, o que tem ocorrido, o Brasil só tem perdido posições. Isso para nós brasileiros é muito ruim. Nós temos um pequeno grupo que se julga intocável, que se julga capaz de fazer de tudo e ficar imune. E não é porque alguém julga que não pode ser julgado. Precisa sim”, disse.

Às vésperas de deixar o comando do governo mineiro para disputar a Presidência da República em outubro, Romeu Zema tenta transformar o embate com o STF em uma das marcas de sua pré-campanha, trazendo o debate sobre limites entre Poderes e responsabilização de ministros para o centro da agenda eleitoral.

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