A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) avançou, nesta sexta-feira (13/03), sobre uma investigação que mira fraudes em procedimentos veiculares dentro do Detran-DF.
Pela manhã, agentes da 18ª Delegacia de Polícia cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de um servidor do órgão, suspeito de manipular registros oficiais e participar de um esquema envolvendo dados falsos, documentação ideologicamente falsa e possível recebimento de vantagem indevida.
A apuração começou depois que o próprio Departamento de Trânsito comunicou à polícia a existência de indícios de irregularidades em processos conduzidos pelo servidor.
A partir dessa informação inicial, os investigadores passaram a rastrear operações de primeiro emplacamento de caminhões e transferências de propriedade que apresentavam inconsistências entre notas fiscais, documentos físicos e informações lançadas nos sistemas oficiais.
Em alguns dos casos analisados, surgiram sinais de que veículos legítimos, pertencentes a empresas de outros estados, poderiam ter “dublês” cadastrados no sistema do Detran do Distrito Federal.
Também chamou a atenção da polícia o fato de certos procedimentos terem sido feitos fora do horário regular de expediente, além da ausência de digitalização de documentos obrigatórios em etapas que deveriam deixar rastro formal no sistema da autarquia.
Uma análise preliminar da Corregedoria do Detran-DF já havia identificado uma sequência de falhas consideradas relevantes: divergências entre notas fiscais eletrônicas e os documentos apresentados nos processos, falta de assinaturas de compradores e inconsistências na checagem de dados em bases oficiais.
Até agora, a investigação vinculou o servidor a pelo menos sete transferências com algum tipo de irregularidade, a maioria envolvendo caminhões.
Durante a operação, os policiais apreenderam celulares, que agora serão periciados para tentar mapear a extensão do esquema, identificar possíveis parceiros e esclarecer se houve participação de outras pessoas dentro ou fora da estrutura pública. A ação foi acompanhada pela Corregedoria-Geral do Detran-DF.
O caso ainda está em fase de aprofundamento, mas a linha de investigação já aponta para um possível uso indevido da máquina pública para dar aparência de legalidade a procedimentos cercados de inconsistências documentais. A partir da análise do material recolhido, a polícia pretende medir o tamanho real da fraude e verificar se há outros veículos e processos sob suspeita.






