A Operação Resina Oculta colocou no centro da investigação uma empresária de Manaus conhecida nas redes sociais pelo apelido de “Cavalona do pó”. Presa nesta quinta-feira (19/03), Mirian Mônica da Silva Viana é apontada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como uma das peças do esquema que misturava tráfico de drogas, empresas de fachada e plataformas clandestinas de apostas para movimentar dinheiro ilegal entre o DF e outros estados.
Nas redes, a imagem construída era de luxo permanente. Viagens para destinos turísticos, hotéis caros, passeios de lancha e uma rotina de ostentação ajudavam a sustentar a aparência de prosperidade. Para os investigadores, porém, essa vitrine pública contrastava com a renda formal declarada e reforçava a suspeita de que o padrão de vida servia também para dar aparência de normalidade a recursos vindos do crime.
A operação foi deflagrada pela Coordenação de Repressão às Drogas da PCDF e cumpriu 41 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão no Distrito Federal, Goiás, Maranhão e Amazonas. No braço financeiro, a Justiça determinou o bloqueio de contas de 50 empresas, com estimativa de até R$ 15 milhões por pessoa jurídica, além do sequestro de sete veículos de luxo usados pelos investigados.
A investigação começou em outubro de 2025, depois da apreensão de 47,4 quilos de haxixe e aproximadamente 1 quilo de skunk em um apartamento desocupado no Riacho Fundo. A partir dali, a polícia identificou primeiro quatro pessoas responsáveis por receber, armazenar e espalhar a droga. Com o avanço das apurações, o caso deixou de ser apenas um inquérito sobre distribuição de entorpecentes e passou a revelar uma estrutura criminosa mais ampla, montada para esconder e movimentar o dinheiro obtido com o tráfico.
Segundo a PCDF, o grupo funcionava como distribuidor para traficantes de várias regiões do DF e do Entorno. O rastreamento das movimentações financeiras mostrou que parte relevante dos valores obtidos com a venda de drogas era enviada em remessas milionárias para Manaus e outras localidades do Norte próximas a áreas de fronteira.
A polícia também identificou transferências para empresas em São Luís, no Maranhão, e em Goiânia, usadas, segundo a investigação, para pulverizar recursos e tentar encobrir a origem ilícita do dinheiro. Em um desses casos, as empresas em Goiás estariam vinculadas a um jovem de 19 anos que trabalha como frentista, o que, para os investigadores, indica uso de laranjas.
Outro ponto considerado central pela polícia foi o uso de plataformas de apostas on-line como ferramenta para circulação e lavagem de dinheiro. A investigação identificou cerca de 15 empresas ligadas a “bets” não regulares, algumas delas com atividade econômica oficial sem relação direta com jogos de azar, mas que apareciam nas redes promovendo esse tipo de operação.
A empresária já havia aparecido em uma ocorrência anterior, em 15/12/2025, quando foi abordada na BR-060, em Rio Verde (GO). Segundo a apuração, ela estava em um Hyundai Creta que funcionava como carro batedor, enquanto um VW T-Cross seguia com quase 30 quilos de skunk escondidos nas portas e no porta-malas.
O motorista do segundo veículo disse à polícia que havia recebido a droga em Manaus e que faria a entrega em Brasília mediante pagamento. Os envolvidos eram da mesma cidade e se conheciam, o que reforçou a suspeita de atuação coordenada.
A PCDF afirma ainda que o esquema não se limitava ao núcleo já identificado. Ao longo da investigação, outras 29 pessoas ligadas ao tráfico no DF e no Entorno apareceram usando o mesmo fluxo financeiro para ocultar valores ilícitos. Por isso, também foram expedidos 29 mandados de busca e apreensão contra esses alvos.







