CPI do INSS rejeita relatório final e indiciamento de Lulinha e mais 215

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Na madrugada de sábado (28/03), em Brasília, a CPI do INSS rejeitou o relatório final apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) e terminou sem aprovar um parecer conclusivo. Com isso, a comissão foi encerrada sem um texto final oficialmente adotado.

O documento derrotado pedia o indiciamento de 216 pessoas. Entre os nomes listados estavam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE).

O parecer também propunha a prisão preventiva de Lulinha, sob a alegação de risco de fuga. Segundo o texto, ele vive atualmente na Espanha.

Após a rejeição do relatório, governistas tentaram levar à votação uma versão alternativa. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, não colocou esse novo texto em apreciação e encerrou a sessão.

A proposta da base governista era mais enxuta no número de nomes, com 170 pedidos de indiciamento. Nela, aparecia também o ex-presidente Jair Bolsonaro, citado por crimes como organização criminosa, improbidade administrativa e furto qualificado contra idosos.

Para barrar o parecer de Gaspar, o governo mobilizou aliados. O senador Jaques Wagner (PT-BA) viajou de Salvador para Brasília para participar da votação, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi exonerado do cargo temporariamente para reassumir sua cadeira no Senado e votar.

O relatório lido na sexta-feira (27/03) tinha 4.340 páginas e consumiu cerca de oito horas de leitura. O texto foi apresentado depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) impediu a prorrogação dos trabalhos da CPI.

No conteúdo, Gaspar afirmava que uma rede de 41 empresas teria sido usada para pagamento de propinas e lavagem de dinheiro. Segundo o parecer, esse grupo movimentou ao menos R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025, com forte suspeita de uso de empresas de fachada.

O deputado também defendeu que os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli fossem investigados por possível tráfico de influência nas relações com Vorcaro. Além disso, pediu o indiciamento de dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi, do governo Lula, e José Carlos Oliveira, do governo Bolsonaro.

Sem consenso político e sem votação de um texto substitutivo, a CPI foi encerrada de forma incomum: com muito material produzido, centenas de nomes citados e nenhuma conclusão formal aprovada pela comissão.

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