Justiça condena acusados de esquema de manipulação de resultados no futebol do DF

Foto: Fernando Torres/CBF

Nesta terça-feira (31/03), a Justiça do Distrito Federal concluiu que partidas do Campeonato Brasiliense de 2024 foram usadas como ferramenta para um esquema de apostas e condenou quatro envolvidos por atuação criminosa ligada à manipulação dos resultados.

A decisão foi tomada pela Vara Criminal de Santa Maria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Na sentença, o juiz entendeu que não houve episódios isolados dentro de campo, mas sim um arranjo montado para interferir no andamento dos jogos e transformar o campeonato em fonte de ganho financeiro ilegal.

O réu apontado como chefe do grupo, William Pereira Rogatto, recebeu pena de 13 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de multa. Amauri Pereira dos Santos foi condenado a 11 anos e dez meses, também em regime fechado. Já Alexandre Batista Damasceno e Nathan Henrique Gama da Silva tiveram pena de sete anos de reclusão cada um, em regime inicial semiaberto, também com aplicação de multa. A acusada Dayana Nunes Feitosa foi absolvida.

O processo nasceu a partir de investigação ligada à Operação Fim de Jogo, conduzida a partir de denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Segundo a apuração, a fraude dependia de uma engrenagem com funções distribuídas, passando pela estrutura do futebol de um clube do DF e chegando até a atuação de atletas em lances decisivos.

Na leitura do magistrado, a situação financeira fragilizada da equipe envolvida ajudou a abrir espaço para o esquema. A sentença aponta que esse ambiente permitiu a montagem de uma rotina de interferência nas partidas, com reflexos não apenas sobre os placares, mas sobre a credibilidade da competição.

Para chegar às condenações, a Justiça levou em conta relatórios técnicos sobre padrões incomuns no mercado de apostas, movimentações financeiras tratadas como suspeitas, análise minuciosa de jogadas e depoimentos colhidos durante a investigação e a instrução processual.

Ao fim, a decisão sustenta que a fraude ultrapassou o limite esportivo e atingiu o campo penal, por comprometer a lisura do campeonato e a confiança pública no torneio. A sentença ainda pode ser alvo de recurso.

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