Nesta terça-feira (14/04), a reta final da CPI do Crime Organizado ganhou contorno de confronto institucional com a apresentação de um relatório que pede o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República. O parecer, assinado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), será submetido ao colegiado em sessão marcada para as 14h, após adiamento da leitura e da votação, que inicialmente começariam pela manhã. 
No texto, Vieira propõe o indiciamento de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes por supostos crimes de responsabilidade, além de incluir Paulo Gonet entre os alvos do relatório final. Segundo a síntese divulgada pelo Senado, a base central do parecer é a avaliação de que os ministros não teriam se declarado suspeitos em episódios ligados ao caso Banco Master, tema que entrou no escopo político da comissão. 
A peça também amplia o alcance da CPI para além dos pedidos de responsabilização individual. De acordo com a cobertura sobre o conteúdo do documento, o relatório traz propostas legislativas voltadas ao endurecimento do combate ao crime organizado e inclui sugestões com forte repercussão política, como a criação de um código de ética para tribunais superiores. 
A votação desta terça ocorre no último dia de funcionamento da comissão. O colegiado foi instalado com prazo determinado e já havia chegado ao fim da tramitação sem obter prorrogação, o que transformou a sessão final em momento decisivo para o destino formal das conclusões do relator. 
Na prática, o parecer ainda depende da aprovação da maioria da CPI para que os pedidos de indiciamento e os encaminhamentos propostos avancem institucionalmente. Até lá, o relatório segue como a posição do relator, mas já impõe nova tensão entre Senado, Supremo e Procuradoria-Geral da República.








