A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal ao bloco europeu. A medida passa a valer em 3 de setembro de 2026 e foi motivada por questionamentos sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.
Segundo as autoridades europeias, o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes de que determinadas substâncias proibidas pela União Europeia deixaram de ser usadas em toda a cadeia produtiva animal destinada à exportação.
A decisão pode afetar produtos como carne bovina, frango, ovos, mel, peixes e outros derivados de origem animal. Apesar disso, o problema é considerado regulatório e não significa, necessariamente, que os alimentos brasileiros estejam contaminados.
Antimicrobianos são medicamentos usados para combater bactérias, vírus, fungos e parasitas. Na pecuária, eles também podem ser utilizados para estimular o crescimento dos animais. A União Europeia restringe o uso de substâncias consideradas importantes para tratamentos médicos em humanos, para evitar resistência bacteriana.
O Brasil estava autorizado a exportar normalmente até a revisão das regras europeias. Já Argentina, Paraguai e Uruguai continuam habilitados a vender produtos ao bloco.
Em abril, o governo brasileiro publicou uma portaria proibindo parte dos antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho animal. Mesmo assim, a União Europeia considera que ainda faltam garantias adicionais.
O governo brasileiro afirmou ter recebido a decisão “com surpresa” e informou, em nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores, Agricultura e Desenvolvimento, que adotará medidas para reverter a situação. Uma reunião com autoridades sanitárias europeias está marcada para esta quarta-feira (13).
As exportações brasileiras seguem normalmente até a entrada em vigor da medida. O governo também destacou que o país possui um sistema sanitário reconhecido internacionalmente e exporta produtos agropecuários para a Europa há cerca de 40 anos.
Entidades do setor afirmaram que trabalham junto ao governo para atender às exigências europeias. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes disse que o setor mantém sistemas de controle sanitário e rastreabilidade. Já a Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que o Brasil cumpre normas internacionais e prestará esclarecimentos técnicos ao bloco europeu.









