O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro é um “caso de polícia”, ao ser questionado sobre as conversas entre Flávio e Vorcaro envolvendo o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então, vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunta como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, tratar da Petrobras e tratar do emprego”, disse Lula.
O presidente deu a declaração em uma visita a uma fábrica de fertilizantes da Petrobas em Camaçari, na Bahia.
De acordo com os documentos citados pela publicação, Vorcaro teria se comprometido a repassar 24 milhões de dólares (na época R$ 134 milhões) para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações indicam que cerca de 10,6 milhões de dólares foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis transferências relacionadas ao projeto.
Ainda segundo a reportagem, o acordo teria sido negociado diretamente por Flávio Bolsonaro, com participação do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias, ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro.
O senador foi questionado na tarde desta quarta-feira (13) por repórteres sobre o tema ao sair do Supremo Tribunal Federal (STF), mas respondeu apenas que se trata de “dinheiro privado”.
Mais tarde, o político divulgou um vídeo confirmando o pedido de dinheiro a Vorcaro, mas negando irregularidades. Ele afirmou ainda não ter “relações espúrias” com o banqueiro e defendeu a realização de uma CPI do Master.
Conversa com Trump
Durante o discurso, Lula defendeu que o Brasil deve ser “dono do próprio nariz” e lembrou o encontro que teve com presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada.
“Nada é mais importante para um país do que ser dono do nariz, de ter orgulho, começar a sentar na frente de um presidente como Trump e discutir tudo menos soberania e democracia porque isso é coisa nossa. Quer discutir crime organizado, estamos preparados, minerais críticos, estamos preparados, comércio, estamos preparados, mas o que não aceitamos é ser tratado menor que ninguém”, disse.
“Brasil tem tamanho e grandeza para falar em igualdade de condições com Xi Jinping, com Trump, com Putin, pra falar e com respeito. Do mesmo jeito que falo com Uruguai, que é país pequeno, falo com Trump. Não falo grosso com Uruguai e fino com os EUA. Eu falo que falo com os dois em igualdade de condições. Respeito é bom e a gente gosta”, continuou.
O presidente também voltou a criticar a privatização da BR Distribuidora pelo governo Bolsonaro e afirmou que por muito tempo o Brasil “foi governado por gente que tinha formação política de vira-lata” e que “quando não sabem governar, começam a vender as coisas, a dizer que é ineficiente”.








