Eduardo Bolsonaro atuou como produtor de filme que recebeu dinheiro de Vorcaro, revela site

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) aparece formalmente como um dos responsáveis pela gestão financeira do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação consta em contrato da obra divulgado pelo portal The Intercept Brasil.

O documento, assinado em janeiro de 2024, define Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos do longa-metragem ao lado da empresa americana GoUp Entertainment.

Segundo o contrato, os dois participariam diretamente de decisões relacionadas ao financiamento, orçamento e estrutura financeira do projeto cinematográfico.

A revelação amplia a pressão sobre a família Bolsonaro após a divulgação de mensagens e áudios pelo site que mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociando recursos milionários com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar a produção.

Vorcaro foi preso ao tentar deixar o país, suspeito de envolvimento em um esquema que teria causado um prejuízo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Após a prisão, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master.

De acordo com os documentos citados pela publicação, Vorcaro teria se comprometido a repassar 24 milhões de dólares (na época R$ 134 milhões) para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações indicam que cerca de 10,6 milhões de dólares foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis transferências relacionadas ao projeto.

Parte das conversas divulgadas na reportagem ocorreu em novembro de 2025, poucos dias antes da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero e da liquidação extrajudicial do Banco Master.

No contrato revelado agora, Eduardo Bolsonaro aparece como responsável, junto dos demais produtores, por atividades ligadas à captação de recursos e relacionamento com investidores.

O texto prevê atuação conjunta em “considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme”, além da preparação de documentos para investidores, busca por incentivos, patrocínios, créditos fiscais e mecanismos de financiamento da produção.

Na prática, segundo o documento divulgado pelo Intercept, Eduardo e Mario Frias integravam a estrutura de tomada de decisão sobre como os recursos seriam levantados e utilizados no projeto.

O site também traz uma troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda e Vorcaro. No projeto do filme, Miranda participaria como intermediário entre o banqueiro, a família Bolsonaro e o deputado Mario Frias.

A função atribuída ao ex-deputado ganha relevância porque investigadores passaram a analisar o destino dos valores relacionados ao longa. A Polícia Federal apura se parte dos recursos associados ao filme foi usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025.

Na quinta-feira (14), Eduardo negou ter recebido dinheiro oriundo do fundo ligado à produção. “A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria”, afirmou.

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