Vídeo: Lula critica classificação de PCC e CV como grupos terroristas pelos EUA

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar, nesta quarta-feira (17/06), a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A declaração foi dada durante entrevista coletiva após a participação de Lula na Cúpula do G7, na França. O tema entrou na agenda diplomática brasileira depois que o governo norte-americano incluiu as duas facções em sua lista de organizações terroristas estrangeiras.

Lula afirmou que já conversou sobre o assunto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que não teria dificuldade em retomar o diálogo diretamente.

Ao comentar a medida, o petista reconheceu o impacto das facções sobre moradores de áreas dominadas pelo crime. Segundo ele, esses grupos são “terroristas para o povo das comunidades”.

A divergência do governo brasileiro, no entanto, está na classificação jurídica e diplomática adotada por Washington.

Para Lula, PCC e CV atuam como organizações criminosas em busca de dinheiro, e não como grupos com objetivo de tomar o poder ou criar um novo Estado. Esse foi o argumento usado pelo presidente para contestar o enquadramento como terrorismo.

A posição brasileira também envolve preocupação com soberania nacional. O governo teme que a classificação abra espaço para pressões externas, sanções financeiras ou mudanças na cooperação policial entre os dois países.

A decisão dos EUA passou a valer em junho e incluiu as facções brasileiras em uma categoria usada contra grupos considerados ameaça internacional. A medida foi defendida pelo governo Trump como forma de ampliar instrumentos de combate ao crime organizado transnacional.

No Brasil, a classificação gerou debate entre autoridades, especialistas em segurança pública e representantes do governo. Parte dos críticos vê risco de interferência externa. Defensores da medida argumentam que o reconhecimento aumenta o alcance das punições contra facções.

Durante a coletiva, Lula também criticou a postura unilateral de Trump nas negociações e afirmou ter experiência em mediação desde o período em que atuava como líder sindical.

 

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