Uma investigação que começou com materiais apreendidos em outro caso levou a Polícia Civil do Distrito Federal a uma nova frente de apuração sobre o comércio ilegal de cetamina.
Nesta sexta-feira (26/06), a 5ª Delegacia de Polícia deflagrou a Operação Katharmos contra uma rede suspeita de usar estruturas ligadas ao setor veterinário para comprar, circular e vender irregularmente o anestésico controlado.
A apuração indica que traficantes do Distrito Federal adquiriam cetamina de fornecedores em Goiás. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o esquema envolvia pagamentos eletrônicos, entregas entre estados e contatos comerciais ligados a empresas do ramo veterinário.
A cetamina é um medicamento usado em procedimentos médicos e veterinários, mas tem venda controlada justamente pelo risco de desvio para uso indevido. O Ministério da Agricultura e Pecuária explica que a substância é utilizada como anestésico e exige controle especial quando destinada ao uso veterinário.
O ponto que chamou atenção dos investigadores foi a quantidade adquirida por alguns suspeitos. Em um dos casos, foram identificadas compras de 1.259 frascos de produtos com cetamina, volume que poderia anestesiar mais de 27 mil cães de porte médio.
Em outro, os registros apontaram 1.936 frascos, quantidade suficiente para anestesiar mais de 41 mil cães ou mais de 125 mil gatos, segundo os cálculos divulgados pela PCDF.
Para a polícia, esses números não combinam com a rotina normal de clínicas de pequeno porte. A suspeita é de que parte do produto, comprado sob aparência de uso veterinário, fosse desviada para abastecer o mercado ilegal no Distrito Federal.
As buscas foram autorizadas para endereços ligados aos investigados e a estabelecimentos comerciais em Goiás. A ação ocorreu em Goiânia, Luziânia, Valparaíso de Goiás e Cidade Ocidental, conforme a PCDF e o Jornal de Brasília.
Durante a operação, policiais encontraram quantidade relevante de entorpecentes em uma clínica e em uma residência. Dois homens foram presos, um em Goiânia e outro em Luziânia, suspeitos de participação no esquema.
Em uma das clínicas, de pequeno porte, os policiais localizaram mais de 21 frascos de cetamina. Segundo a PCDF, essa quantidade seria suficiente para suprir o uso de um zoológico por um ano inteiro, o que reforçou a suspeita de desvio da finalidade declarada.
A investigação também aponta que clínicas ligadas aos investigados não tinham autorização específica para comercializar produtos veterinários à base de cetamina. Agora, a polícia deve analisar documentos, aparelhos eletrônicos e registros de compras para identificar o caminho percorrido pelo medicamento e quem recebia os produtos no DF.
A Operação Katharmos se soma a outras ações recentes contra o desvio de cetamina no país. Em 2025, a própria PCDF deflagrou a Operação Nêmesis e apreendeu mais de 4 mil frascos da substância, em uma das maiores apreensões do tipo já registradas no Brasil.






