Faixa exclusiva do BRT Sul abre caminho para táxis durante 90 dias

Foto: Divulgação

Uma cena diferente começou a fazer parte do trânsito na região sul do Distrito Federal na quarta-feira (26/8). Depois de mais de uma década reservado aos ônibus, o corredor do BRT Sul passou a receber também táxis entre Santa Maria, Gama e a Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia), no Park Way.

A Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF) autorizou a circulação em caráter experimental por 90 dias. Nesse período, cada táxi que entrar na pista ajudará a responder a uma questão decisiva: é possível tornar as corridas mais rápidas sem retirar do transporte coletivo a vantagem oferecida pelo corredor exclusivo?

A mudança alcança passageiros que enfrentam diariamente o trânsito entre a região sul e a área central de Brasília. Ao acessar a faixa do BRT, o taxista poderá escapar dos congestionamentos das pistas convencionais e reduzir o tempo do deslocamento.

A facilidade, no entanto, vem acompanhada de regras rígidas. Táxis com passageiros podem usar o corredor em qualquer horário e em todos os dias da semana. Sem ocupantes, a entrada somente é permitida entre 22h e 5h.

O corredor funciona apenas como passagem. Nenhum taxista poderá parar para embarcar ou desembarcar passageiros nas estações, nos terminais, nos pátios ou em qualquer ponto da via exclusiva.

Quem solicitar uma corrida deverá entrar no veículo antes do acesso ao BRT e desembarcar depois da saída. Os táxis também não poderão circular pelas pistas internas dos terminais de Santa Maria, Gama e Park Way.

A velocidade máxima será de 60 km/h, mas cai para 30 km/h nas proximidades das estações. As ultrapassagens somente poderão ocorrer nos trechos onde existe recuo, também respeitando o limite reduzido.

Antes de abrir o corredor, o governo precisou reprogramar os equipamentos de fiscalização. A autorização havia sido anunciada para 20 de agosto, mas foi adiada até que o sistema estivesse preparado para acompanhar a nova dinâmica.

Durante os três meses de experiência, a operação será monitorada 24 horas por dia. Técnicos observarão se a presença dos táxis afeta a segurança, a fluidez da pista, a pontualidade das linhas e o tempo de viagem dos ônibus.

O corredor foi inaugurado em junho de 2014 para dar prioridade ao transporte coletivo e garantir rapidez aos moradores do Gama e de Santa Maria. Agora, pela primeira vez, essa estrutura passa a dividir espaço regularmente com outro serviço de transporte de passageiros.

O desafio está justamente nesse encontro. Para quem está dentro do táxi, a faixa exclusiva pode representar minutos preciosos economizados; para quem espera o BRT, a experiência só terá sucesso se os ônibus continuarem circulando sem atrasos.

Motoristas que desrespeitarem as regras poderão perder a autorização para utilizar a pista. Em caso de pane ou acidente, o veículo deverá ser retirado rapidamente para evitar a interrupção do serviço coletivo.

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