O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) foi o quinto presidenciável a participar da série de entrevistas promovida pela TV Globo. A sabatina ocorreu na noite desta sexta-feira (28) e foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Durante a entrevista, Flávio foi questionado sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, os atos de 8 de janeiro, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, a relação com o ex-policial militar Adriano da Nóbrega, além de propostas para a economia. O senador também falou sobre o PIX e as urnas eletrônicas.
Caso Master e filme sobre Bolsonaro
O primeiro tema abordado foi a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, preso sob investigação por suspeitas de fraudes bilionárias. Segundo as informações apresentadas durante a entrevista, Vorcaro repassou R$ 61 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história de Jair Bolsonaro.
Questionado sobre como pretende convencer os eleitores de que não mantinha uma relação próxima com Vorcaro, Flávio afirmou que procurou o banqueiro apenas para conseguir financiamento para o filme sobre o pai.
“Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento para um filme sobre o próprio pai”, afirmou.
O candidato negou ter buscado recursos públicos ou por meio da Lei Rouanet e disse que todo o dinheiro recebido foi utilizado na produção. Também afirmou que não houve contrapartida ao banqueiro em razão de seu cargo de senador.
Durante a entrevista, Renata Vasconcellos citou mensagens enviadas por Flávio a Vorcaro, entre elas uma em que o senador escreveu que estaria sempre ao lado do banqueiro.
Em resposta, Flávio comparou a situação com investimentos feitos por Vorcaro em uma produção da Globo. Segundo ele, o banqueiro teria investido R$ 160 milhões em um programa apresentado por Luciano Huck.
“É importante separar o tipo de relação privada que envolve o patrocínio para o filme, que é o mesmo tipo de relação privada de um banqueiro que investiu também R$ 160 milhões de reais em um programa do Luciano Huck, aqui da Globo. Não tem absolutamente nada de errado”, disse.
Tralli respondeu que os patrocínios relacionados ao Grupo Globo seguem a legislação, as normas de publicidade e são registrados com transparência.
Flávio voltou a afirmar que sua única relação com Vorcaro estava ligada ao filme e disse que considerava a produção um sonho que estava sendo realizado.
“A única relação que eu tive com ele foi com esse filme. Era um sonho que estava se realizando. Jair Bolsonaro merece uma obra-prima como o filme, contando a história dele como um herói”, afirmou.
Questionado sobre seu encontro com Vorcaro depois que as suspeitas envolvendo o banqueiro já haviam sido divulgadas, Flávio evitou falar diretamente sobre a visita e voltou a criticar Lula.
“O que não é adequado é um Presidente da República receber, em uma reunião secreta, um banqueiro prometendo ajudá-lo a resolver um problema do seu banco. Quem deve esclarecimentos é o atual Presidente da República”, declarou.
Veja o vídeo:
8 de janeiro e anistia
Flávio também foi questionado sobre quais garantias daria de que seu grupo político não voltaria a atacar a democracia caso fosse eleito.
O candidato classificou como uma “farsa” o processo que levou à condenação de Jair Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente foi “julgado pelos seus inimigos”.
Flávio questionou a condenação do pai por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, não houve organização criminosa armada porque os participantes dos ataques não se conheciam e nenhuma arma teria sido encontrada naquele dia.
Ele também questionou a responsabilização de Jair Bolsonaro pelos atos de depredação em Brasília, argumentando que o ex-presidente não estava na capital no dia dos ataques.
O senador afirmou ainda que pretende trabalhar pela anistia dos envolvidos nos atos durante o período de transição, caso seja eleito.
Ao criticar o Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio disse ser o único candidato capaz de “trazer segurança jurídica de volta” e “recolocar as instituições em seu devido lugar”.
Urnas eletrônicas
A segurança das urnas eletrônicas também entrou na conversa. Renata lembrou declarações anteriores de Flávio que questionaram a credibilidade do sistema de votação.
Desta vez, o candidato afirmou que respeita o processo eleitoral e o resultado das urnas. Ele também reconheceu ter cometido um erro ao dizer anteriormente que uma empresa venezuelana fabricava as urnas utilizadas no Brasil.
“Quero dizer a todos que vou respeitar o processo eleitoral. Vou respeitar o resultado das eleições. Eu vou me tornar Presidente da República com essas regras”, afirmou.
Tarifaço dos Estados Unidos
A atuação de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nas medidas adotadas pelo governo de Donald Trump contra o Brasil também foi discutida.
Eduardo comemorou a aplicação das tarifas americanas e pediu que brasileiros agradecessem ao presidente dos Estados Unidos. A bancada da Globo questionou Flávio sobre a atuação do deputado e se ele teria colocado os interesses da família Bolsonaro acima dos interesses do país.
Flávio negou e afirmou que o irmão atuava para defender a família e fazer um trabalho de conscientização nos Estados Unidos. O candidato voltou a responsabilizar Lula pelo tarifaço.
“Foi o Lula que cavou essa tarifa. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras”, afirmou.
Apesar de defender Eduardo, Flávio reconheceu que o irmão errou ao agradecer pelas tarifas impostas ao Brasil.
PIX não será negociado
Questionado sobre declarações de Eduardo Bolsonaro envolvendo o PIX e uma possível negociação com os Estados Unidos, Flávio afirmou que não pretende colocar o sistema de pagamentos brasileiro em uma negociação com o governo norte-americano.
“O PIX é sagrado, é do brasileiro. É inegociável”, declarou.
Relação com Adriano da Nóbrega
Outro momento da entrevista foi marcado por perguntas sobre a relação de Flávio com Adriano da Nóbrega, apontado como um dos líderes do chamado Escritório do Crime, no Rio de Janeiro.
Adriano, que foi morto durante uma operação policial na Bahia, recebeu uma homenagem de Flávio quando o senador ainda era deputado estadual.
Questionado sobre o motivo da homenagem, Flávio afirmou que ela ocorreu há mais de 20 anos, quando Adriano era, segundo ele, considerado um policial exemplar.
“Era um policial exemplar que estava preso injustamente”, disse.
O candidato afirmou ainda que a homenagem não foi destinada somente a Adriano, mas a toda a guarnição da qual ele fazia parte. Segundo Flávio, sua atuação política sempre esteve ligada à defesa dos policiais.
Renata Vasconcellos também citou investigações sobre rachadinha no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que apontaram que a mãe e a esposa de Adriano foram empregadas pelo então deputado.
A jornalista questionou por que familiares de um homem apontado como chefe de um grupo de matadores foram contratados.
Flávio respondeu que as provas do caso foram anuladas pela Justiça e voltou a afirmar que Adriano havia sido preso injustamente e que, quando o conheceu, era considerado por ele um policial exemplar.
Dívida pública
Na área econômica, Flávio defendeu um “ajuste fiscal forte” para tentar estabilizar e reduzir a dívida pública. Entre as medidas citadas pelo candidato está a redução do número de ministérios e dos gastos do governo.
Ele, porém, não apresentou durante a entrevista um valor ou percentual para o tamanho do ajuste fiscal nem estabeleceu um prazo para alcançar a redução da dívida.
Flávio também relacionou o endividamento das famílias aos gastos do governo Lula e afirmou que uma redução das despesas públicas poderia contribuir para diminuir os juros da dívida.
Sobre o salário mínimo, o candidato não informou se pretende alterar a fórmula utilizada atualmente para definir os reajustes.
Saúde e meio ambiente
Flávio afirmou que o médico Claudio Lottenberg poderá ser seu ministro da Saúde caso seja eleito. O candidato disse que pretende modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS) e melhorar a qualidade do atendimento público.
Na área ambiental, Flávio foi questionado sobre declarações anteriores relacionadas ao aquecimento global. Ele afirmou que considera os eventos extremos, como calor, chuva e seca, fenômenos que também podem ocorrer de forma cíclica e disse não acreditar que tenham relação direta apenas com a ação humana.
Sobre a Amazônia, afirmou que considera a criminalidade um dos principais problemas da região e citou a exploração de ouro em terras indígenas.
Próximas entrevistas
Flávio Bolsonaro foi o quinto candidato entrevistado pela Globo na série de sabatinas com os presidenciáveis. Antes dele, participaram Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Lula.
A próxima entrevista está prevista para este sábado (29), com Augusto Cury (Avante).
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.











