A mulher que se apresentou como biomédica à família de uma professora que morreu após receber uma injeção para tratar queda de cabelo não possui registro profissional. Segundo o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), Valéria Rodrigues de Sousa da Silva não é inscrita em nenhum Conselho Regional de Biomedicina e, portanto, não está autorizada a atuar como biomédica ou realizar procedimentos estéticos e aplicações injetáveis como profissional da área.
O CFBM informou ainda que, por não ter registro em um Conselho Regional, Valéria não pode responder a um processo ético-disciplinar da entidade.
Entre os procedimentos permitidos aos biomédicos estetas estão algumas aplicações de substâncias para fins estéticos, inclusive por via intramuscular. Para isso, porém, é necessário que o profissional esteja devidamente habilitado e regularizado. Os estabelecimentos onde esses procedimentos são realizados também precisam cumprir as exigências sanitárias e possuir a documentação necessária.
No caso da professora Lidiane Gomes de Souza Alves, de 50 anos, a aplicação ocorreu em um salão de beleza no Setor P Sul, em Ceilândia. O local não possuía licença sanitária nem cadastro na Vigilância Sanitária, segundo a Secretaria de Saúde. O imóvel é registrado como residencial e não tinha autorização para atividades comerciais de saúde ou estética.
Morte após aplicação
De acordo com o marido da professora, Valdeci Alves, ela saiu de casa por volta das 16h e retornou cerca de duas horas depois passando mal e com falta de ar. Ele a levou para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do P Norte, onde ela foi atendida, mas não resistiu.
Lidiane sofreu um choque anafilático, provocado por uma grave reação alérgica. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga o caso como possível homicídio culposo e exercício ilegal de atividade de saúde.
Segundo o delegado Petter Ranquetat, da 23ª Delegacia de Polícia (P Sul), ainda não foi identificado qual substância provocou a reação alérgica que levou à morte da professora. A investigação também considera que ela havia passado por outros procedimentos químicos nos cabelos.
Investigação
A PCDF recolheu frascos do suposto complexo vitamínico utilizado na aplicação, além de caixas com diferentes substâncias, seringas e recipientes com líquidos. Entre os produtos identificados nas embalagens estão nicotinamida, ácido hialurônico, colágeno de placenta de ovelha, niacinamida com peptídeos e GHK-Cu.
Os materiais serão analisados, e a polícia aguarda os laudos do Instituto Médico-Legal (IML) e do Instituto de Criminalística para esclarecer a causa da morte e as circunstâncias do procedimento.
O salão foi fechado pela Polícia Civil no dia da morte, em 5 de setembro, e não foi reaberto desde então. A dona do estabelecimento compareceu à 23ª DP acompanhada de um advogado, mas permaneceu em silêncio e não prestou depoimento.
Ainda segundo o relato do marido, quando Lidiane chegou à UPA, foi encaminhada à sala vermelha devido à gravidade do quadro. A equipe médica perguntou quais medicamentos ela havia recebido. Valdeci então voltou ao salão e fotografou os produtos utilizados, levando as informações para a unidade de saúde acompanhado da pessoa responsável pela aplicação.
Durante o trajeto, essa mulher teria dito que era biomédica e mostrado ao marido uma lista com nomes de outras pessoas para as quais também teria aplicado medicamentos no salão. Depois disso, ela não foi localizada.








