Nesta sexta-feira (18/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende acabar com as casas de apostas no país durante comício em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
“Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets nesse país. É a coisa mais horrorosa que eu vi na vida”, declarou o presidente diante de apoiadores. Ao tratar do impacto das apostas sobre os jogadores, ele recorreu ao termo técnico que designa o transtorno do jogo. “Não é jogo, é vício, é ludopatia. A gente joga achando que vai ganhar e só perde.”
A declaração ocorre dois dias depois de clubes de futebol de São Paulo e do Rio de Janeiro divulgarem manifestação conjunta em defesa das plataformas autorizadas a operar no país. O documento, ao qual também aderiu a entidade que representa as emissoras de rádio e televisão, sustenta que o setor regulamentado é fiscalizado, gera arrecadação tributária, mantém empregos e sustenta contratos de patrocínio esportivo.
Lula respondeu diretamente a esse argumento. “O dono da bet não vai querer que acabe, mas eu não sou dono de bet, eu sou o presidente da república”, disse. Em seguida, classificou como infundada a tese de que o futebol brasileiro não se sustentaria sem o dinheiro das apostas. “Então esse negócio de que se acabar com as bets vai acabar com o futebol é uma balela.”
No mesmo discurso, o presidente relatou ter conversado com uma jovem que, segundo ele, tentou tirar a própria vida três vezes em razão do vício em apostas. O relato foi usado por Lula para sustentar que o problema ultrapassa a dimensão econômica do setor.
A entidade que reúne as empresas do ramo estima que o fim da atividade regulamentada retiraria cerca de R$ 9 bilhões do futebol brasileiro até 2029, valor referente sobretudo a patrocínios de camisa, placas de publicidade e cotas de transmissão. As apostas de quota fixa foram regulamentadas e passaram a depender de autorização do Ministério da Fazenda, que mantém a lista das plataformas habilitadas.
O governo federal estuda editar medida provisória para restringir a atividade, instrumento que tem vigência imediata, mas precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para se tornar lei. Uma proibição definitiva depende de alteração na legislação, cuja tramitação cabe aos parlamentares. Lula já havia manifestado a mesma posição em entrevista concedida na quarta-feira (16/9).









