Neste domingo (20/9), mulheres de diferentes idades e trajetórias esportivas ocuparam o Eixão do Lazer, na altura da 104 Norte, para uma manhã de corrida, caminhada e pedalada contra o feminicídio.
A mobilização integra o projeto Brutas, Correndo ou Pedalando Contra o Feminicídio, idealizado pela ativista e empresária Jessica Cytrus, de 36 anos, que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio. A proposta reuniu percursos de 1 quilômetro para caminhada e de 3 e 6 quilômetros para corrida, além de um trajeto aberto aos ciclistas.
Não houve cronometragem, classificação nem premiação. A ausência de competição é deliberada, segundo a organizadora, que atribui ao evento a função de dar visibilidade a um tipo de violência frequentemente tratado em silêncio. “Resolvi fazer uma corrida para dar visibilidade a esse tema. Não é porque é uma corrida rosa, não é porque é uma corrida bonitinha. É porque é um tema muito importante”, afirmou.
O movimento já havia realizado etapas anteriores em Brasília, entre elas treinos coletivos no próprio Eixão do Lazer e uma edição na Praça do Buriti, em agosto, com apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
A vice-governadora Celina Leão participou da atividade e concentrou a fala na denúncia como primeiro passo para romper o ciclo de agressões. “A maior arma que nós podemos ter contra o feminicídio é divulgar para que as pessoas e as mulheres tenham coragem de denunciar”, disse. Segundo ela, o Distrito Federal registrou 19 mil ocorrências de violência contra a mulher no ano passado, e as duas mortes contabilizadas na semana anterior envolveram vítimas que nunca haviam procurado a polícia, ainda que já sofressem agressões.
Os números oficiais sustentam a preocupação. O 2º Anuário de Segurança Pública do Distrito Federal, apresentado em março, contabilizou 28 feminicídios em 2025, contra 22 em 2024, alta de 27%. Nove regiões administrativas concentraram 68% dos casos, com destaque para Planaltina, que teve três registros, seguida de Itapoã, Núcleo Bandeirante, Recanto das Emas, Samambaia, São Sebastião, SCIA/Estrutural, Sol Nascente/Pôr do Sol e Taguatinga, com dois cada.
O levantamento também mostra por que a denúncia ocupa o centro do debate. Na série de dez anos analisada, que reúne 256 vítimas, 69,5% delas não tinham registro de ocorrência anterior contra o agressor. Apenas 26,3% haviam solicitado medidas protetivas e 12,3% tinham a proteção em vigor no momento do crime.
Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo 180, canal gratuito e sigiloso, ou pelo 190 em casos de emergência.







