A Polícia Civil de Goiás (PCGO) prendeu preventivamente, nesta segunda-feira (21/9), a fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, investigada por possíveis irregularidades em procedimentos estéticos realizados em Goiânia. Até o momento, nove pessoas denunciaram a profissional.
Segundo a investigação, os relatos envolvem mutilações, queimaduras, cortes, infecções, necrose, cicatrizes, sangramentos, bolhas, dor intensa e perda de tecido. Parte das denúncias envolve procedimentos em regiões íntimas, com lesões classificadas pela polícia como graves ou gravíssimas.
A profissional tem formação em fisioterapia e capacitação complementar em procedimentos estéticos faciais, corporais e íntimos. De acordo com a PCGO, alguns atendimentos teriam incluído cortes, retirada de tecidos e alterações na anatomia das pacientes, além da prescrição ou fornecimento de medicamentos. A polícia investiga se essas práticas configuram exercício ilegal da medicina.
Entre os casos investigados estão três relatos de mulheres que afirmaram ter passado por ninfoplastia. Uma delas relatou sangramento, dor intensa, perda de sensibilidade no clitóris e dificuldades para manter relações sexuais.
A polícia também apura denúncias de queimaduras graves nas mamas e complicações após procedimentos com fios, aplicações e outras intervenções estéticas.
Um vídeo usado durante a investigação mostra Magda realizando um procedimento íntimo em uma paciente. Nas imagens, ela aparece usando um guardanapo para limpar cortes durante o atendimento.
Segundo o delegado Alex Rodrigues, o procedimento realizado seria uma ninfoplastia, cirurgia para reduzir ou corrigir assimetrias nos pequenos lábios vaginais. O investigador afirmou que a conduta registrada nas imagens estaria fora dos parâmetros exigidos.
Uma das pacientes também relatou problemas relacionados à higiene durante o atendimento. Segundo ela, a profissional não usava luvas estéreis nem máscara e teria utilizado papel-toalha para conter um sangramento.
Polícia apreende celulares e medicamentos
Além da prisão, a PCGO cumpriu três mandados de busca e apreensão: um na residência da fisioterapeuta e dois em consultórios relacionados à profissional.
Durante as buscas, os investigadores apreenderam celulares, documentos e medicamentos. Segundo a polícia, alguns dos remédios estavam vencidos. Também foi constatada a ausência de licença sanitária para o funcionamento de um dos locais relacionados aos atendimentos.
A investigação continua para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer as circunstâncias dos procedimentos.
A PCGO divulgou a imagem da fisioterapeuta para tentar localizar outras pessoas que possam ter sido atendidas por ela e apresentado complicações. Possíveis vítimas são orientadas a procurar uma unidade policial e apresentar documentos, fotografias, mensagens, prontuários ou outros materiais relacionados aos procedimentos.
Defesa pede cautela
Em nota, a defesa de Magda afirmou que ela está à disposição da Polícia Civil e da Justiça para prestar os esclarecimentos necessários. A defesa também declarou que a fisioterapeuta confia que os fatos serão esclarecidos durante a investigação e pediu cautela na divulgação de informações.
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região (CREFITO-19) informou que recebeu uma denúncia sobre o caso e instaurou um processo administrativo e ético-disciplinar para apurar os fatos.
Segundo o conselho, caso as denúncias sejam confirmadas, as condutas serão tratadas no âmbito do processo administrativo. A entidade também afirmou que está à disposição das autoridades para colaborar com a investigação.







