O delegado Fernando Fernandes (Republicanos) teve mais de 20 mil votos para deputado distrital no domingo (4/10), ficou entre os 24 candidatos mais votados do Distrito Federal e, mesmo assim, não conquistou uma cadeira. Enquanto isso, Dayse Amarilio (PSB) foi reeleita com 15.440 votos. A explicação está no sistema proporcional, em que as vagas são divididas primeiro entre os partidos e só depois entre os candidatos.
O primeiro passo é o cálculo do quociente eleitoral, que corresponde ao número de votos válidos dividido pelo número de cadeiras. Neste ano, a disputa para a Câmara Legislativa (CLDF) teve 1.698.609 votos válidos, o que resulta em um quociente de cerca de 70,8 mil votos por vaga. Cada partido ou federação recebe tantas cadeiras quantas vezes alcançar esse número, somando os votos de todos os seus candidatos e os votos dados apenas na legenda. As vagas que sobram são distribuídas pelas maiores médias de votos.
Com as cadeiras definidas, cada legenda as preenche com seus candidatos mais votados. O Republicanos conquistou três vagas, que ficaram com Estefane Sampaio (45.558 votos), Renata Daguiar (28.172) e Martins Machado (27.541). Fernando Fernandes foi o quarto mais votado do partido e, por isso, ficou de fora. Já o PSB somou votos suficientes para duas cadeiras, ocupadas por Múcio (42.769) e por Dayse, a segunda mais votada da sigla.
Há também uma exigência individual. Para assumir uma vaga, o candidato precisa ter votação equivalente a pelo menos 10% do quociente, o que neste ano representa cerca de 7,1 mil votos. A regra impede que nomes com votação muito baixa sejam eleitos apenas por estarem em uma legenda forte.
O sistema também explica o peso dos chamados puxadores de votos. Max Maciel (PSOL), com 92.234 votos, foi o único candidato a superar sozinho o quociente eleitoral. A votação dele ajudou o partido a garantir a segunda cadeira, ocupada por Keka Bagno, que teve 40.569 votos.
Fernando Fernandes, que deixou a chefia de uma delegacia da Polícia Civil para disputar a eleição, fica como primeiro suplente do Republicanos. Ele pode assumir o mandato caso algum dos três eleitos do partido se afaste do cargo, por exemplo para ocupar uma secretaria no próximo governo do DF, definido no segundo turno de 25 de outubro.






