O presidente Lula (PT) afirmou, na segunda-feira (5/10), que sua campanha está pagando pelo desgaste da mais alta corte do país. Em reunião com a coordenação da campanha, um dia depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), ele declarou: “Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias”.
Na mesma fala, Lula se apresentou como o candidato que enfrenta o sistema. “Só tem um candidato que é antissistema. E somos nós, não tem outro”, disse. A declaração é uma resposta direta ao discurso do adversário, que fez campanha contra o governo e contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente também defendeu uma reforma na forma de escolha dos ministros da Corte. “Vamos ter que discutir com a sociedade qual é o critério para indicar um candidato ao Supremo. E se vai ter mandato ou não. Está na hora de discutir isso. Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte”, afirmou. Ele questionou se as indicações devem atender ao interesse pessoal do presidente, à pressão do Congresso ou ao poder econômico.
As críticas surgem em meio ao desgaste do STF com as revelações sobre a relação de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A mudança de tom chama atenção porque Lula foi beneficiado por decisões do Supremo, como a que anulou suas condenações na Lava Jato e permitiu que ele disputasse a eleição de 2022. Além disso, indicou dois dos atuais ministros da Corte no terceiro mandato.
Mesmo com o resultado do primeiro turno, Lula disse confiar na vitória. “Eu estou convencido de que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no segundo turno”, declarou. A votação será em 25 de outubro.










