Os professores da Universidade de Brasília aprovaram, na quarta-feira (7/10), a proposta do governo federal sobre a URP, parcela que integra o salário dos docentes da instituição. Com a decisão, a categoria encerrou o indicativo de greve, aprovado em maio, e o estado de assembleia permanente que vigorava desde abril.
A votação foi feita em assembleia da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB). A proposta foi apresentada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O impasse começou em maio, quando o ministério informou à reitoria que, após decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), a URP poderia ser integralmente absorvida pelos reajustes salariais. Na prática, isso faria a parcela desaparecer aos poucos dos contracheques.
Pelo acordo, 60% da URP serão absorvidos nos aumentos permanentes, a partir de abril de 2026. Os professores que ingressaram na UnB até 31 de março de 2026 passam a receber a parcela, com pagamento retroativo à data de admissão. As progressões concedidas até essa data não serão absorvidas, e os valores já descontados serão devolvidos. A mesma regra vale para as promoções efetivadas até 31 de março de 2027.
O texto também prevê que o MGI e a Advocacia-Geral da União (AGU) construam, junto ao TCU, mecanismos para interromper os descontos considerados indevidos da URP nos proventos de professores aposentados. A solução consensual será levada ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita há cerca de 20 anos um mandado de segurança da categoria sobre o tema.
Apesar da aprovação, a assembleia avaliou a proposta como insuficiente. A ADUnB vai enviar ao ministério uma carta com a avaliação política da negociação. O sindicato também vai discutir com a reitoria e com o governo federal uma política de compensação para os professores que entraram na universidade a partir de abril de 2026 e não recebem a URP. Segundo a presidente da entidade, Maria Luiza Pereira, o diálogo com a administração da UnB continua para que as promoções sejam efetivadas dentro do prazo.






