As informações de voo do jato do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, vão ficar em segredo por 100 anos. O Comando da Aeronáutica negou um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre o plano de voo e os passageiros da aeronave no período em que o empresário foi preso.
O pedido tratava da aeronave de prefixo PS-FST, um Falcon 7X, entre 10 e 20 de novembro de 2025. Foi nesse intervalo que Vorcaro acabou preso no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para embarcar no jato rumo a Malta, na Europa.
Para negar o acesso, a Força Aérea Brasileira (FAB) invocou o artigo 31 da LAI, que permite restringir por até 100 anos informações pessoais relativas à intimidade e à vida privada. “O itinerário de uma aeronave individualizada, em datas determinadas, permite associar deslocamentos aos dirigentes, sócios e demais usuários da aeronave, pessoas naturais identificáveis mediante o cruzamento com registros públicos”, afirmou o Comando da Aeronáutica.
A Força acrescentou que “o histórico individualizado de planos de voo de uma mesma aeronave, em sequência, permite o rastreamento retrospectivo e a construção de perfil de deslocamento dessas pessoas, o que agrava a afetação à intimidade e à vida privada”.
O sigilo centenário existe desde a criação da LAI, em 2011, e foi alvo de críticas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Na campanha de 2022, Lula (PT) prometeu acabar com o mecanismo se fosse eleito, mas a regra continua em vigor e segue sendo aplicada por órgãos do governo federal em outros pedidos.
O caso Master tem reflexos diretos no Distrito Federal. O BRB, banco controlado pelo governo local, tentou comprar o Master em 2025 e acumulou prejuízos com a instituição. Em setembro, o GDF criou uma comissão especial para tentar recuperar ativos e negociar o ressarcimento dos danos, cujo prazo foi prorrogado por 90 dias nesta semana.







