O governo brasileiro não pretende transformar a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do país em um novo conflito diplomático com a Argentina, governada por Javier Milei. Apesar de pedir esclarecimentos sobre o caso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou que o episódio seja tratado sem ampliar as tensões entre os dois países.
Nessa quinta-feira (29/10), o Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da embaixada argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para uma conversa sobre a possível participação de autoridades do governo Milei na fuga de Flávio rumo aos Estados Unidos.
O encontro durou poucos minutos e foi conduzido pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, responsável pelas relações do Brasil com países da região. A reunião teve caráter protocolar e não foi considerada uma repreensão formal ao governo argentino.
A decisão de chamar a representante também ocorre em meio ao desgaste nas relações entre Brasília e Buenos Aires. Em agosto, o Brasil retirou seu embaixador da Argentina após uma série de ataques de Milei a Lula. Na ocasião, o governo argentino também teve seu representante diplomático retirado do Brasil.
A avaliação do governo brasileiro é de que não interessa abrir uma nova frente de conflito com o país vizinho. A orientação é evitar provocações e manter os canais de diálogo, mesmo diante das divergências políticas.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular em Puerto Iguazú, com destino aos Estados Unidos. Reportagens da imprensa argentina apontaram a participação de integrantes do governo Milei na organização da viagem.
O senador chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28/10), após passar pelo território argentino.









