PCDF prende homem que vendia ayahuasca ilegalmente pela internet

Foto: Divulgação/PCDF

Um homem de 37 anos foi preso preventivamente nesta quinta-feira (5/11), em Palhoça, Santa Catarina, suspeito de vender ilegalmente ayahuasca pela internet. A prisão ocorreu durante a Operação Desvio Ritual, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC).

Além da prisão, os policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão na residência do investigado e na sede de uma empresa registrada em nome dele. As ordens foram expedidas pela Justiça do Distrito Federal.

De acordo com a investigação, o homem utilizava um perfil no Instagram, com mais de 3 mil seguidores, para anunciar o chá e realizar vendas sem restrições. Nas publicações, ele apresentava a ayahuasca como uma espécie de microdose capaz de tratar ansiedade, depressão e insônia. Também divulgava preços, promoções e kits do produto.

Para receber os pagamentos, o investigado chegou a abrir uma empresa. A polícia identificou centenas de remessas enviadas para mais de 20 unidades da Federação. No Distrito Federal, os produtos tinham como destino regiões como Ceilândia, Taguatinga, Brazlândia, Águas Claras e Asa Norte.

Uma das encomendas foi apreendida em Brasília. Após análise pericial, foi confirmada a presença de DMT, substância de uso proibido no país.

A PCDF alerta que o consumo de ayahuasca sem orientação pode provocar crises de ansiedade, paranoia e quadros psicóticos. A combinação com antidepressivos e outros medicamentos controlados também pode causar intoxicação grave.

A corporação esclareceu que a operação não tem como objetivo impedir o uso religioso e ritualístico do chá. Desde 2010, uma resolução do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) reconhece a legitimidade do consumo da ayahuasca em cerimônias religiosas, prática protegida pela liberdade de crença.

Segundo a Polícia Civil, o foco da investigação é o comércio da substância, que é proibido pela legislação, inclusive pela internet. A venda não é permitida mesmo quando o produto é anunciado como suplemento espiritual ou medicina natural. O próprio investigado afirmava, em um vídeo, que sua atividade não tinha relação com religião.

O homem foi indiciado por tráfico de drogas, crime cuja pena varia de 5 a 15 anos de prisão. Como os produtos eram enviados para outros estados, a pena pode ser aumentada de um sexto a dois terços.

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