O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) defendeu que ele foi discriminado durante seu governo e que há uma “perseguição” contra ele e sua família “sob todos os aspectos”. Em entrevista à revista Crusoé, divulgada nesta sexta-feira (28/7), ele queixou-se do que chamou de “arbitrariedades” em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Na minha intimidade, eu fiquei revoltado quando o Ramagem não pôde assumir a PF. Busquei contornar sem uma medida drástica. Quem hoje é o diretor da PF? Um amigo íntimo do Lula. Comigo não foi possível. Há uma diferença. Eu fui discriminado durante todo o mandato”, afirmou Bolsonaro
Alexandre Ramagem (PL) é amigo da família Bolsonaro. Integrou a escolta do ex-presidente durante a campanha eleitoral de 2018. No ano passado, o ex-delegado deixou o cargo de diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para concorrer ao cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Ele assumiu a agência em novembro de 2019. Em 2020, foi indicado por Bolsonaro para assumir a PF. Mas o ministro do STF (Supremo Tribunal Alexandre de Moraes suspendeu a nomeação.
Seu nome para a diretoria-geral da PF surgiu depois que Bolsonaro demitiu Maurício Valeixo do cargo. Valeixo havia sido escolhido por Sergio Moro (Podemos) e sua demissão foi um dos motivos que levaram o agora senador a deixar o cargo de ministro da Justiça. Na época, Moro acusou o ex-presidente de tentar interferir no comando da PF.
O ex-presidente disse também que o TSE se mostrou “completamente favorável ao outro lado” durante às eleições, em referência ao seu rival petista.
“Eu resolvi ir embora em 30 de dezembro. Jamais entregaria a faixa para alguém com o passado do atual presidente que está aí. Jamais, jamais. Pela forma como ele foi tirado da cadeia, a forma como ele foi “descondenado” para driblar a Lei da Ficha Limpa. E, depois, como o TSE tratava as questões de interesse meu e dele. O TSE foi completamente favorável ao outro lado. Mas eu considero as eleições do ano passado uma página virada”, acrescentou.
Golpe
Durante entrevista, Bolsonaro falou também que ninguém tentou convencê-lo a dar um golpe de Estado depois das eleições de 2022. “Pensar, todo mundo pensa. De vez em quando, alguém falava alguma coisa. Agora, ninguém tentou me convencer”, afirmou. “Dar um golpe é a coisa mais fácil que tem. O duro é o day after, o dia seguinte. Como é que o mundo vai se relacionar conosco? Temos experiência de países que tomaram medidas de força e as consequências são péssimas. Você não vê uma ação minha fora das quatro linhas”.
Sobre o tenente-coronel e seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, Bolsonaro disse ser um homem sem maldade. “O telefone do Mauro Cid era um telefone público. Uma caixa de mensagens. Quando havia qualquer problema, informação sobre agenda, questões de ministros, tudo era no telefone dele. Se ele tivesse maldade, de três em três meses teria sumido com o telefone e com as mensagens, mas ficou tudo aberto”, declarou.
O ex-presidente declarou que não teve contato com o coronel do Exército Jean Lawand Junior. Ele é acusado de trocar mensagens com Mauro Cid que sugerem um “golpe de Estado” para impedir a posse do presidente Lula.
“Eu nunca tive contato com o coronel Lawand. O Cid passou a ter amizade com algumas pessoas e a ter liberdade de falar o que bem entendesse. É comum você falar uma coisa que não queria e, depois que acontece, você se arrepende. Jamais alguém ia tratar de golpe por WhatsApp”, afirmou Bolsonaro.









