Mulher que matou noivo em motel do DF com tiro no olho tem sentença definida

Foto: Reprodução

Acusada de matar o noivo, Jordan Guimarães Lombardi, de 39 anos, a modelo Marcella Ellen Paiva Martins foi condenada a 15 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado. A mulher passou pelo Tribunal do Júri nessa terça-feira (22/10), após um julgamento que durou 13 horas.

Marcella era acusada de assassinar Jordan com um tiro no olho direito, dentro do Motel Park Way, na Candangolândia, em novembro de 2022.

Os jurados a condenaram por homicídio privilegiado, roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo e porte ilegal de arma de fogo com numeração suprimida. Além disso, não concederam a ela o direito de recorrer em liberdade.

Relembre o caso

A vítima foi encontrada morta com diversos hematomas e um tiro no olho direito.

De acordo com as investigações, Marcella trabalhava como acompanhante de luxo antes de conhecer o companheiro. No Instagram, ela acumulava mais de 50 mil seguidores, onde compartilhava fotos de viagens luxuosas por Dubai, Alemanha, França e Maldivas

Segundo depoimento de Marcella aos policiais, o casal se conheceu há dois anos e moravam no bairro de Moema, em São Paulo. Antes disso, a brasiliense vivia com a família na Asa Norte. Na capital, Marcella se formou em direito e conheceu o empresário anos depois. Noivos, o casal decidiu comemorar a festa da união no DF. Todos os preparativos estavam acertados, incluindo o salão, a decoração e até a data do casório.

No domingo, os dois deixaram a capital paulista e viajaram de carro para o DF para oficializar a união no civil, que seria na quarta. Porém, Marcella contou aos policiais que há cerca de dois meses descobriu que a filha de Jordan, fruto de um outro relacionamento, sofria abusos sexuais do padrasto. E ela, por já ter um histórico de estupro quando criança, cobrou uma postura do noivo para defender a filha. No entanto, ele não queria denunciar o caso.

Devido às cobranças da noiva, Jordan falou que iria resolver a situação e comprou uma arma de fogo de maneira ilegal em São Paulo. Segundo ela, por conta de toda situação, o relacionamento do casal vinha se desgastando.

Os dois chegaram em Brasília na segunda-feira e ficaram em uma suíte do motel. Lá os dois consumiram drogas. Conforme relatou Marcella à polícia, momentos antes de efetuar o disparo ela contratou um garoto de programa para ir ao quarto em que o casal estava hospedado. Ela pagou via Pix, no valor de R$ 5 mil, mas negou ter praticado sexo com o rapaz. Ela narra também que o companheiro acabou discutindo e agrediu o homem.

Ele teria chegado ao quarto na noite de terça-feira (8/11), deixado por um carro de aplicativo. E saiu depois de, aproximadamente, duas horas. O garoto de programa teria ficado assustado com a briga do casal e, percebendo que havia uma arma de fogo no local, foi embora.

Com a saída dele, o casal voltou a discutir e Marcella voltou a falar sobre o assunto referente à filha de Jodan, momento em que, segundo ela, ligou para o Disque 100 e fez uma denúncia. Neste momento, a mulher conta que o noivo partiu para cima dela e a agrediu. “Ela apontou a arma para ele e ele foi para cima. E falou: ‘Pode me matar, não estou nem aí, não quero saber da minha vida também’. Ela respondeu que não faria isso e ele foi lá e deu outro tapa nela. Quando ele deu esse segunda tapa, com a arma apontada, apertou o gatilho”, disse o advogado Johnny Cleik.

Na madrugada, a mulher fugiu do local em um Audi Q7 e dirigiu até próximo à Girassol, mas o carro parou de funcionar no meio do caminho. Ainda seminua, ela desceu do veículo, pegou a arma e abordou o motorista de uma Kombi. Aproveitando-se da distração da mulher, o motorista do veículo correu até à BR-070 e pediu socorro. Outro motorista que passava pela via o levou até uma viatura. Momento em que policiais militares de Goiás se deslocaram ao local e prenderam a mulher em flagrante.

No momento da prisão, ela portava a pistola e quatro munições.

Em um vídeo à época em que foi presa, Marcella relata ter tido uma briga com o companheiro, no quarto de motel, momento em que houve o disparo da arma de fogo que atingiu o olho direito de Jordan.

“Nós estávamos trancados no quarto tendo uma luta corporal. Eu estava segurando a arma, ele tentou tirar ela de mim. Eu nunca tinha disparado [uma arma]”, detalha a mulher.

“Quando saí do local, estava desnorteada e liguei para minha mãe, até que o carro parou de funcionar e não tinha sinal. Quando fui acusada de roubo, estava tentando pedir carona. Ofereci, inclusive, dinheiro para que me levassem até onde tivesse sinal. Só que quando perceberam que eu tinha arma, entraram em luta corporal comigo”, conta Marcella no vídeo.

De acordo com o relato da acusada, ao abordar uma segunda Kombi na via, ela acreditava se tratar do primeiro automóvel. “Eu achei que era o cara da primeira Kombi me perseguindo. Por isso, eu apontei a arma e ele fugiu”, finalizou.

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