Uma feira de ciências na unidade II do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste da cidade do Rio de Janeiro, acabou em grande preocupação, após uma aluna de 12 anos realizar testes de medição de glicose em colegas sem fazer a troca da agulha devidamente. O episódio levou a ao menos 23 pessoas buscarem hospitais para realizar o tratamento profilático.
O evento aconteceu no sábado (12). Na ocasião, a aluna – que tem diabetes – apresentava seu trabalho em um estande sobre a doença, e realizou testagens dos níveis de glicose por meio da perfuração do dedo dos participantes. Ela trocava a agulha somente a cada três perfurações, e todo o processo foi testemunhado por sua mãe, que estava ao lado da filha no estande.
A direção da escola foi alertada somente após um pai chegar no fim do evento e se surpreender ao ver a criança fazendo a testagem nos colegas e relatar o caso para a diretoria. Em contato, o homem explicou:
“Minha filha ficou com medo de ser furada e não participou. Cheguei no fim do evento. A primeira coisa que me chamou a atenção era uma criança furando outras crianças. E ainda mais numa época em que há tantos cuidados em relação a equipamentos esterilizados. Ouvi uma senhora reclamando que não trocava a agulha”.
O compartilhamento de agulhas pode levar à transmissão de doenças como HIV, hepatites B e C e sífilis. A recomendação do Ministério da Saúde é que pessoas que usem o mesmo material busquem um hospital em até 72 horas para receber antirretrovirais por 28 dias e evitar o desenvolvimento de alguma dessas doenças.
A mãe de uma das alunas que participou do teste de glicose manifestou consternação, em especial devido ao fato que a mãe da adolescente que realizou a testagem estava no estande.
– A mãe da menina [que fez a testagem] estava ao lado dela. É até difícil acreditar que isso aconteceu. Minha filha voltou do Lourenço Jorge chorando, com medo de ter contraído HIV ou outra doença – relatou.
– Estamos abalados, completamente chocados com o que aconteceu. A escola e a mãe da aluna têm responsabilidade. Se um pai não tivesse percebido, nunca saberíamos o que aconteceu. Meu filho a todo minuto me pergunta: “Mãe, eu vou morrer?” Não dá para acreditar que uma escola desse porte não acompanhe o que cada aluno mostra e oferece – completou outra mãe.
O vice-diretor-geral do Tamandaré, Antonio Henrique, afirmou que os responsáveis pela estudante que fez os testes foram avisados de que o equipamento poderia ser levado somente para exibição, e que a testagem era proibida.
Ele afirmou ainda que todos os exames realizados após o caso deram negativo para contaminação, e que “não houve qualquer maldade” no caso. Uma equipe de profissionais de saúde foi acionada para ir ao colégio nesta segunda-feira (14), e uma infectologista contratada pela instituição vai acompanhar alunos e responsáveis.
– Até o momento, todos os testes deram negativo. O risco de contaminação existia, mas era menor porque a lanceta era trocada a cada três exames. Não houve qualquer maldade nesse caso. Estamos com equipes de plantão com acompanhamento psicológico para as famílias – disse o vice-diretor.










