A influenciadora digital e advogada, Deolane Bezerra, foi detida na manhã desta quinta-feira (21/5) de pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo durante a Operação Vérnix.
Esta é a terceira fase de uma investigação que começou em 2019 e chegou até ela por um caminho que passa por bilhetes apreendidos em presídio, uma transportadora de cargas no interior paulista e depósitos fracionados que somam mais de R$ 1 milhão.
Deolane havia voltado ao Brasil na quarta-feira (20), após passar semanas em Roma, na Itália. Durante o período fora do país, seu nome chegou a constar na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Ao desembarcar, não havia como imaginar que a operação seria deflagrada horas depois.
Investigação
Tudo começou com um material apreendido em 2019 dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Bilhetes e manuscritos encontrados com dois detentos descreviam a dinâmica interna do PCC, a atuação de lideranças encarceradas e possíveis articulações de ataques contra agentes públicos.
O material levou os investigadores até uma transportadora de cargas que, na prática, funcionava como o braço financeiro da organização.
A empresa, identificada como Lopes Lemos Transportes e também conhecida como Lado a Lado Transportes, era controlada pela cúpula do PCC e usada para movimentar recursos ilícitos. Em 2021, uma primeira operação, chamada Lado a Lado, identificou movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada da empresa.
A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema, ampliou as apurações e revelou conexões financeiras com Deolane Bezerra.
“Deolane possuía estreitos vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fantasmas da transportadora.” apontou o MP.
Segundo o MP-SP e a Polícia Civil, Deolane teria recebido depósitos fracionados em espécie entre 2018 e 2021, totalizando mais de R$ 1 milhão. A prática é conhecida como smurfing: valores abaixo de R$ 10 mil são depositados repetidamente para dificultar o rastreamento pelo sistema financeiro.
Além disso, duas empresas ligadas à influenciadora teriam recebido cerca de R$ 716 mil de uma instituição apresentada como empresa de crédito, sem que houvesse contratos ou prestações de serviço que justificassem os repasses.
Outros alvos da operação
Deolane não é a única alvo. A Operação Vérnix também expediu mandado de prisão contra Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC e já detido no sistema penitenciário federal. O irmão dele, Alejandro Camacho, e os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho também estão entre os investigados. Outro preso na operação é Everton de Souza, conhecido como Player, indicado pelos investigadores como operador financeiro da organização.
No total, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Trinta e nove veículos avaliados em R$ 8 milhões foram apreendidos. O Ministério Público pediu o bloqueio de R$ 357,5 milhões em recursos financeiros ligados ao esquema.
O que vem pela frente
Com a prisão preventiva decretada, Deolane permanece detida enquanto a Justiça analisa o pedido de habeas corpus que a defesa deve apresentar nas próximas horas. A experiência anterior, em 2024, mostrou que sua equipe jurídica age com rapidez nesses casos. Naquela ocasião, ela foi liberada em poucos dias.
Desta vez, no entanto, o contexto é diferente. A investigação é mais abrangente, envolve o núcleo financeiro do PCC e acumula dois anos de apurações com provas documentais, dados bancários e análise de empresas. A extensão do bloqueio pedido pelo MP, de R$ 357,5 milhões, dá a dimensão do que os investigadores dizem ter encontrado.









