Governo destruiu R$ 108 milhões em remédios e vacinas em 2025

Foto: João Risi/MS

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que, em 2025, o governo federal destruiu R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos hospitalares, em processo de incineração registrado em Brasília e outras regiões do país. Desse total, R$ 18,5 milhões, cerca de 17,1%, ainda estavam dentro do prazo de validade quando foram descartados.

Segundo informações oficiais, o volume queimado correspondeu a 1,48% de todo o estoque de produtos de saúde armazenado em 2025. A meta anunciada para o próximo ano é reduzir esse índice para 1%, o que exigirá mais controle na compra, armazenagem e distribuição de itens estratégicos para o SUS.

Nos lotes incinerados estavam medicamentos de alto custo, como fármacos oncológicos usados no tratamento de leucemia linfoblástica aguda e linfomas, além de vacinas contra a dengue e terapias destinadas a doenças raras. Em alguns casos, cada unidade ultrapassa R$ 80 mil, o que acende um alerta sobre o impacto financeiro da perda de produtos que poderiam ser aplicados em pacientes.

A pasta da Saúde afirma que parte dos itens é eliminada por “não conformidade técnica”, como problemas de conservação, avarias ou mudanças de protocolo clínico, e que esses produtos são repostos ou ressarcidos conforme contrato. O ministério rejeita a ideia de “desperdício” sistemático, mas não detalhou se houve devolução de recursos em situações em que medicamentos e vacinas comprados por ordem judicial foram incinerados mesmo estando válidos.

Quando se observa o conjunto dos três primeiros anos do atual governo, o montante incinerado chega a R$ 2 bilhões. Esse valor é 3,3 vezes maior que os R$ 601,5 milhões destruídos em todo o mandato anterior, o que o próprio ministério atribui, em grande parte, ao acúmulo de estoques de imunizantes contra a Covid-19 e de anestésicos adquiridos em cenário de emergência sanitária.

O pico desse descarte ocorreu em 2023, com perdas de cerca de R$ 1,3 bilhão, sobretudo de vacinas que não chegaram a ser aplicadas. Técnicos ouvidos pela pasta apontam como causas principais as oscilações na demanda, à medida que a pandemia recuou e a adesão vacinal diminuiu e a mudança no perfil epidemiológico de doenças como dengue, malária, tuberculose e hanseníase.

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