Nesta segunda-feira (13/7), a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, defendeu o papel que desempenha no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e respondeu às críticas sobre sua participação em reuniões, viagens e agendas oficiais. A manifestação ocorreu durante uma entrevista concedida em Brasília.
Ao explicar sua rotina, Janja afirmou que participa de atividades no Palácio do Planalto e acompanha pautas relacionadas a políticas sociais. Entre os assuntos citados estão o combate à fome, a proteção das mulheres e iniciativas voltadas à pobreza menstrual.
Em entrevista ao UOL, Janja atribuiu a resistência que enfrenta ao fato de a sociedade brasileira não estar habituada ao protagonismo da esposa de um presidente da República. Segundo ela, o Brasil “nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente”.
A primeira-dama considera que parte da resistência à sua atuação nasce da expectativa de que a esposa do presidente permaneça apenas em funções cerimoniais. Na avaliação apresentada por ela, o protagonismo feminino em espaços próximos ao poder ainda provoca reações negativas.
Janja também relacionou os ataques que recebe à misoginia e ao preconceito de classe. Para sustentar essa avaliação, comparou sua trajetória à de Ruth Cardoso, ex-primeira-dama e acadêmica reconhecida antes de chegar ao Palácio do Planalto.
A comparação foi usada para argumentar que origem social, formação profissional e posição econômica influenciam a forma como primeiras-damas são tratadas pela opinião pública.
As declarações representam a avaliação pessoal de Janja. Seu papel no governo continua sendo alvo de debate porque a função de primeira-dama não é um cargo público eletivo e não possui atribuições constitucionais próprias.
Outro ponto abordado foi o custo de viagens e compromissos internacionais. Janja afirmou que deslocamentos em classe executiva e hospedagens seguem protocolos de segurança definidos para integrantes da comitiva presidencial.
Ela também negou que as viagens tenham caráter pessoal e atribuiu a imagem de “gastadeira” a uma estratégia de desgaste político contra o governo Lula.
A discussão sobre essas despesas já provocou questionamentos no Congresso. Em maio, a Câmara aprovou uma proposta que restringe a imposição de sigilo sobre informações relacionadas a gastos oficiais com viagens, texto que ainda depende das etapas seguintes de análise legislativa.









