A jovem que atirou no rosto da melhor amiga, Isabele Guimarães Ramos, em 2020, foi expulsa do curso de Medicina da universidade São Leopoldo Mandic, em Campinas (SP). No entanto, a Justiça Federal autorizou o retorno da jovem e determinou o prazo de dois dias para que ela seja aceita de volta.
Como a atiradora era menor de idade na época, a divulgação de sua identidade é vedada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ela havia sido expulsa no último dia 16. A decisão que decretou o retorno da jovem é do juiz Haroldo Nader, da 6ª Vara Federal de Campinas (SP).
“Defiro a liminar para determinar à autoridade impetrada que reintegre a impetrante no curso de Medicina em que está matriculada, sem qualquer prejuízo acadêmico pelos dias em que não o pôde frequentar em razão do ato impetrado”, apontou o magistrado.
De acordo com o portal UOL, um grupo de mães ficou assustado ao descobrir que a jovem era a menina que matou Isabele, no caso que chocou o país. Na época da expulsão, a faculdade alegou que a presença da garota “gerou um clima interno de grande instabilidade do ambiente acadêmico”.
O advogado Artur Barros Osti, que representa a jovem, disse que o cumprimento da medida socioeducativa foi “grave o suficiente” e que a expulsão foi uma forma de discriminar a estudante. Ela chegou a cumprir medida socioeducativa de internação no Lar Menina Moça, no Complexo do Pomeri, em Cuiabá, por pouco mais de um ano. Em 2022, a jovem conseguiu uma decisão favorável da Justiça de Mato Grosso e foi solta.
A mensalidade do curso de Medicina na São Leopoldo Mandic custa cerca de R$ 13 mil.
O caso
Isabele, de 14 anos, foi morta pela amiga em 12 de julho de 2020, em uma casa em um condomínio de luxo, em Cuiabá. Ela levou um tiro no rosto. As duas tinham a mesma idade na época.
A adolescente responsável pelo disparo praticava tiro esportivo junto com os irmãos e os pais. A Polícia Civil indiciou a jovem por ato infracional análogo a homicídio doloso o que a levou a cumprir medida socioeducativa.
Em 2022, após recurso, a tipificação do crime foi alterada para ato análogo a homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, o que permitiu que ela respondesse pela morte em liberdade.









