Lula recebeu dono do Banco Master no Planalto antes da crise que levaria à liquidação da instituição. O encontro, realizado na quarta-feira (04/12), em Brasília, só veio à tona depois que o banco passou a ser investigado por suspeitas de fraudes bilionárias no sistema financeiro.
Na agenda oficial daquele dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no Palácio do Planalto. Também participaram da reunião o então diretor do Banco Central Gabriel Galípolo e os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), o que dá ao encontro um peso político e institucional relevante, mesmo ocorrido antes da crise vir a público.
Vorcaro chegou acompanhado do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master. Inicialmente, Mantega tinha reunião marcada com o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, mas o encontro acabou escalado para o próprio presidente. Na conversa, o banqueiro teria reclamado da forte concentração do mercado bancário brasileiro. Lula, segundo relatos, respondeu que o tema deveria ser analisado tecnicamente pelo Banco Central e pediu um parecer a Galípolo.
O dono do Master não era um desconhecido nos bastidores de Brasília. Registros apontam ao menos três entradas anteriores de Vorcaro na Secretaria de Relações Institucionais, o que indica um canal recorrente de diálogo com o Palácio do Planalto. A revelação dessas agendas ocorre em paralelo à repercussão do colapso do banco, cuja liquidação expôs suspeitas de fraudes em carteiras de crédito e perdas que podem ultrapassar a casa dos bilhões de reais, hoje sob apuração de órgãos de controle.
O caso ganhou contornos ainda mais sensíveis pela teia de relações políticas atribuída ao banqueiro. Em depoimentos, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, foi citado em conversas sobre uma possível venda do Banco Master ao BRB, operação que acabou barrada pelo Banco Central. Já o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, é apontado como aliado próximo de Vorcaro e teria atuado em tratativas ligadas ao negócio, o que adiciona um componente partidário de alta voltagem ao episódio.
Além da esfera política, o escândalo respinga também no ambiente do Judiciário. Parentes do ministro Dias Toffoli foram ligados a um fundo associado ao Banco Master, em processo que tramita sob elevado grau de sigilo. O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, foi mencionado em razão de um contrato entre a instituição financeira e o escritório de advocacia de sua esposa. Não há, até aqui, condenações relacionadas a esses vínculos, mas o simples fato de constarem em investigações reforça a pressão por transparência.











