Na madrugada desta quinta-feira (9) um menino de 3 anos morreu em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), após ser brutalmente agredido pelo próprio pai. O agressor, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, confessou o crime à Polícia Civil e afirmou que bateu no filho porque a criança não lhe deu “bom-dia”. Ele está preso desde o último domingo (5), quando ocorreram as agressões.
Em depoimento, o missionário relatou ter desferido socos no peito e no abdômen do menino, além de bater a cabeça da vítima contra o chão.
Grayson levou o filho ferido a um hospital de Viamão. Devido à gravidade dos ferimentos, a criança foi transferida em estado gravíssimo para o Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, onde permaneceu internada na UTI pediátrica, mas não resistiu.
Após a equipe médica identificar múltiplas lesões, o 18º Batalhão da Polícia Militar foi acionado, e o pai acabou preso em flagrante na unidade de saúde. Na segunda-feira (6), a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.
As investigações também apontam indícios de que outros três filhos de Grayson com Mayanna Angelina Rodgers, de 5, 7 e 9 anos, teriam sofrido agressões semelhantes em episódios registrados em pelo menos outros dois estados brasileiros. A situação de um bebê de 1 ano ainda é apurada, sem confirmação, até o momento, de que tenha sido vítima de violência. A família vive no Brasil há nove anos e reside em Viamão há cerca de seis meses.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul acionou a Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal, para colher informações sobre o missionário.
“Já se pediu colaboração da Interpol para poder dizer se este homem já não tinha também antecedentes nos Estados Unidos, se não era procurado lá, para entender a situação dele antes de migrar para cá”, afirmou Alessandra Moura Bastian da Cunha, subprocuradora do MP.
E explicou:
“Foi pedido um mandado de busca e apreensão na casa para verificar qual foi o instrumento de agressão dessa criança. O relato do pai teria sido de agressão apenas com os punhos e bater a cabeça da criança, mas pelo relato da médica, possivelmente, aquelas lesões não teriam sido causadas apenas com punhos e precisaria ter sido utilizado um instrumento contundente”.
Os advogados de defesa de Mayanna Angelina alegam que ela também seria vítima do homem. Ela também está presa preventivamente.
“O relato é muito significativo de uma mulher que vive um ciclo de violência doméstica. A defesa está convicta nisso e vai trabalhar para elucidar os fatos nesse sentido”, declara a advogada Isabel Cochlaf.
Os três advogados que atuam na defesa a pedido de uma ONG relatam um suposto caso de privação de liberdade. Eles contam que Mayanna casou com Dandre Jermaine Grayson aos 19 anos e, em seguida, o casal viajou dos Estados Unidos para o Brasil, onde moraram em outros dois estados antes de chegar ao RS. A mulher tem pais norte-americanos e nasceu no Japão. Portanto, tem dupla cidadania.
O advogado André von Berg descreve Mayanna como “uma mulher absolutamente dominada” que “não tinha nenhum poder sobre a vida dela”. Segundo os advogados, ela não teria acesso a dinheiro, telefone celular, televisão ou rádio. Também seria proibida de contatar a própria família, que é religiosa e vive nos Estados Unidos.










