Aos 46, Kelly Santana trabalha como catadora de piolhos profissional. Diz que já perdeu as contas de quantas crianças atendeu ao longo dos cinco anos em que exerce essa profissão.
Kelly explica que o valor de cada atendimento varia. Ela calcula de acordo com a distância até a casa dos clientes. Em média, um atendimento com duração de três horas sai por volta de R$ 140.
“Com o dinheiro que eu ganho catando piolhos, conseguimos pagar o aluguel, que é de R$ 700 por mês, uma parte da conta de luz e ainda comprar comida. Meus filhos também ajudam como podem, mas é graças a essa profissão que escolhi seguir que estamos conseguindo sobreviver”.
Com a pandemia, a clientela sumiu por um tempo, mas Kelly se mexeu para reverter a situação e conta que agora recebe mais de 50 chamados por semana. Mudou o perfil dos atendidos: há adolescentes, adultos e até mesmo idosos. A pediculose, como é chamada a infestação por piolhos, é uma doença parasitária que ocorre por meio de contato direto, ocorrendo com certa frequência em locais de aglomeração infantil, como escolas e creches.
A mudança de perfil no atendimento, avalia a profissional, se deve ao isolamento social obrigatório devido à pandemia de covid-19. “Com todos os membros da família trancados em casa e a volta às aulas presenciais, as crianças, que são mais suscetíveis à infestação, acabam passando os piolhos para os familiares”, conta Kelly.
Com informações do Uol











