O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, incluiu na nova proposta de colaboração premiada entregue à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) os detalhes do patrocínio ao filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta foi apresentada no dia 1º de junho, com complementos entregues no dia seguinte.
Segundo a CNN Brasil, Vorcaro narrou na nova versão da delação os pedidos e cobranças do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo repasse de recursos à produção.
De acordo com o Metrópoles, Vorcaro também esclareceu como se deram as tratativas e informou que o dinheiro do patrocínio foi enviado por ele para um fundo nos Estados Unidos.
Os recursos foram transferidos por uma empresa ligada ao banqueiro, a Entre Investimentos e Participações, para o fundo offshore Havengate Development Fund LP, registrado no Texas. O fundo tem como agente legal o escritório do advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Investigações do Intercept Brasil apontam que aproximadamente R$ 61 milhões, equivalentes a cerca de US$ 10,6 milhões, foram transferidos por essa rota.
A PF pretende solicitar às autoridades americanas a quebra de sigilo do fundo Havengate para verificar se os recursos foram de fato destinados à produção do filme ou se bancaram despesas de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Eduardo e o deputado Mario Frias constavam como produtores-executivos do projeto.
Apesar do detalhamento na delação, aliados de Vorcaro afirmam que o objetivo não foi apontar irregularidades. Segundo interlocutores do ex-banqueiro, ele sustenta que as negociações com Flávio Bolsonaro ocorreram de forma republicana e sem contrapartidas políticas ou institucionais.
Flávio Bolsonaro já havia dito em nota que era falsa a insinuação de que recursos teriam sido destinados a Eduardo, afirmando que os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.
A proposta de delação ainda aguarda avaliação da PF e da PGR. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou acesso ampliado dos advogados ao ex-banqueiro até a sexta-feira (12/6), prazo que a defesa aguardava para obter uma resposta das autoridades. Eventuais acordos precisarão ser homologados pelo STF para ter validade.












