Nessa quinta-feira (18/5), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deu declarações sobre seu ex-ajudante de ordens, o coronel Mauro Cid, que permaneceu em silêncio ao depor na Polícia Federal (PF). O militar, que está preso desde o último dia 3, foi chamado para dar explicações no caso que apura uma suposta fraude em cartões de vacina contra a Covid-19.
Ele foi questionado sobre a falsificação de dados de vacina no sistema do Ministério da Saúde, mas preferiu não responder. Bolsonaro disse esperar que Cid não tenha feito nada de errado.
“Não tenho conversado com ele [Cid]. Vi que ele ficou em silêncio. Isso é ele com o advogado dele. Foi um excelente oficial do Exército brasileiro, é jovem ainda. Ele fez o melhor de si. Peço a Deus que não tenha errado e… cada um siga sua vida. Nós procuramos fazer tudo certo”, disse.
“Da minha parte não tem problema nenhum. Eu não precisava de vacina para entrar nos EUA. A minha filha também não precisava de nada. Estão investigando essas fraudes de 2022, tudo bem. Mas ninguém está investigando aquela outra que aconteceu em 2021. Alguém entrou no sistema usando o endereço lula@gmail para falsificar meu cartão de vacina. O cara pode ser ligado ao PT. Por que não estão investigando? São parciais, na verdade”, completou.
Cid está preso preventivamente na Operação Venire, que tornou o caso público, no início de maio. A PF informou que as inserções falsas, que ocorreram entre novembro de 2021 e dezembro de 2022, tiveram como consequência a possibilidade de permitir que pessoas pudessem fazer a emissão de certificados de vacinação e utilizá-los para burlarem as restrições sanitárias vigentes imposta pelos poderes públicos do Brasil e dos Estados Unidos.
A Polícia Federal informou ainda que os fatos investigados configuram em tese os crimes de infração de medida sanitária preventiva, associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação e corrupção de menores.
Bolsonaro diz que é perseguido
Em meio aos diversos depoimentos prestados recentemente à Polícia Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro disse estar sendo alvo de “perseguição” e que não há motivos para que sua prisão seja decretada. As afirmações foram feitas em uma entrevista publicada no site da revista Veja também nessa quinta-feira (18/5).
Com o veículo, Bolsonaro conversou sobre as investigações a respeito das joias que vieram da Arábia Saudita e sobre a suposta fraude em cartões de vacina contra a Covid-19.
Ao ser questionado sobre um possível constrangimento no fato de ter prestado três depoimentos após retornar ao Brasil, Bolsonaro respondeu que é alvo de uma perseguição que, segundo ele, não era esperada que ocorresse nos moldes atuais. O ex-presidente exemplificou a declaração com o vazamento quase que imediato de sua oitiva na Polícia Federal na última terça (16).
“O pessoal está vindo para cima de mim com lupa. Eu esperava perseguição, mas não dessa maneira. Na terça-feira, nem tinha deixado o prédio da PF ainda e a cópia do meu depoimento já estava na televisão. É um esculacho. Todo o meu entorno é monitorado desde 2021. Quebraram os sigilos do coronel Cid para quê? Para chegar a mim”, ressaltou.
Já ao ser perguntado se teria receio de ser preso, o ex-chefe de Estado respondeu que “não há motivos para isso”, mas ressaltou o histórico recente da Bolívia, onde a ex-presidente Jeanine Áñez foi condenada a 10 anos de prisão sob a alegação de que teria promovido um golpe de Estado para derrubar o então presidente Evo Morales.
“É bom não esquecer o que aconteceu na Bolívia. A ex-presidente Jeanine Áñez assumiu quando o Evo Morales fugiu para a Argentina. Depois, o outro lado voltou ao poder, ela foi presa e condenada a dez anos de cadeia (…). Para ter algum motivo que justificasse isso, eu precisaria ter feito pelo menos 10% do que ele [Lula] fez. E eu fiz 0%. Algumas pessoas importantes, não vou dizer os nomes, já diziam antes de acabar o governo que querem me prender. Uma prisão light, apenas para me carimbar com a pecha de ex-presidiário”, resumiu.
Bolsonaro também discorreu sobre o caso das joias recebidas de presente da Arábia Saudita e destacou que nada foi feito às escondidas, mas dentro da legalidade. O ex-presidente reconheceu, porém, que pode ter ocorrido um “excesso de iniciativa” para resolver a questão.
“Quando soube [das joias], paguei missão, deve ter sido para o Cid: “Vê se pode recuperar”. Depois vimos que tinha um ofício do MME [Ministério de Minas e Energia] buscando recuperar na Receita, então não foi nada no grito. Tem ofício, e-mail, tudo”, reforçou.










