Nesta segunda-feira (21/9), vieram a público mensagens de WhatsApp atribuídas à lobista Roberta Luchsinger nas quais ela relata ter usado voos da Força Aérea Brasileira, frequentado a sala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto e estado ao menos uma vez na residência oficial.
Em 24 de março de 2023, segundo o material, ela escreveu à mãe que havia ido “de aero lula” para Brasília. “Fomos de aero lula para Brasília rsrs”, diz a mensagem. A mãe responde em áudio: “Ah, meu Deus, o que que é isso, aero lula? É o avião do Lula?”. A resposta seguinte é direta: “Avião do Lula kkkkk”. Na sequência, ela envia uma fotografia feita de dentro do Planalto, com vista para o Congresso Nacional.
Registros da portaria do palácio, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, apontam o ingresso dela no prédio em 22 de março de 2023, às 15h37.
Em áudio enviado a uma assessora do governo da Bahia em 1º de novembro de 2023, a lobista afirma que estaria “de FAB”, acompanhada do “filho do presidente”. “Então, a gente vai estar de FAB, e aí eu não consigo administrar esses horários de voo, porque a gente embarca pela base aérea, entendeu? Porque eu não vou estar de voo comercial, não vou estar embarcando na parte normal”, diz o trecho.
Outras mensagens divulgadas fazem referência ao pai de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Em 11 de junho de 2025, ela escreve a uma advogada: “Tô no palácio, não consigo escrever mto pq to na sala do pai do Fábio”. Em 25 de outubro de 2023, às 23h16, afirma estar “ainda aqui na casa do pai do Fábio”.
O conteúdo se choca com a declaração do presidente em sabatina na TV Globo, em 27 de agosto. “Eu não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim”, disse na ocasião, quando também se referiu a ela como “pilantra”.
Roberta Luchsinger é citada em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, entre eles uma apuração sobre suspeita de tráfico de influência no Ministério da Saúde. Levantamento anterior de registros de acesso apontou 42 visitas dela a órgãos do governo federal entre janeiro de 2023 e abril de 2024, das quais 41 não constavam das agendas oficiais das autoridades.
A defesa da lobista afirmou que se manifestará apenas nos autos. “Em respeito às autoridades, a defesa só se manifestará nos autos”, declarou. Não há, até esta publicação, manifestação do Palácio do Planalto ou da Força Aérea sobre o conteúdo das mensagens.









