Vídeo: Em Miami, Flávio faz live e questiona resultado das eleições

Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (30/10) que vai disputar a eleição presidencial de 2030. O anúncio foi feito em transmissão ao vivo no Instagram, de Miami, nos Estados Unidos, na qual o derrotado no segundo turno também voltou a questionar o resultado das urnas, sem apresentar provas.

Na transmissão, ele afirmou que houve situações “matematicamente impossíveis” de explicar sem interferência no processo eleitoral. “Muitas coisas estão sem explicação dessas eleições, matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real sem que houvesse, como eu falei, algum gol de mão”, declarou.

O principal alvo foi o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi advogado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de chegar à Corte. “A gente tá falando de uma atuação política partidária na mais alta Corte desse país”, disse Flávio, sem citar o nome do ministro.

Na sequência, o senador justificou a saída do país. “Então, é aquela situação que você não tem a quem recorrer caso você se sinta vítima de uma injustiça. Eu acho que até muitos de vocês que estão me assistindo aqui agora, se colocassem no meu lugar, talvez tivessem tomado a mesma iniciativa”, afirmou.

A crítica se refere à decisão de Zanin que, na tarde de domingo (25/10), prorrogou a votação por até duas horas por causa de problemas no transporte público em cidades de dez estados. Depois, o ministro esclareceu que a medida valia apenas para as seções ainda abertas. O pedido partiu da campanha de Lula, mas o PL também havia solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a extensão do horário em cidades como São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte, por causa das chuvas.

Os números não sustentam a tese de interferência no resultado. Segundo o TSE, cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h em todo o país. Lula venceu com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos sobre Flávio. No DF, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) afirmou que a prorrogação teve “efeito residual”, com mais de 95% das seções encerradas até as 17h10.

Foi a primeira manifestação ao vivo de Flávio desde a carta divulgada na quarta-feira (28/10), dia em que chegou a Miami. No texto, ele alegou fraude, disse que pretende liderar dos Estados Unidos a oposição ao governo petista e se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Horas depois, retirou o trecho e passou a se identificar como “líder do Brasil”.

O anúncio sobre 2030 contrasta com o discurso da campanha deste ano. Na época, Flávio afirmou que, se eleito, não disputaria a reeleição e que apoiaria “sem dúvidas” o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na eleição seguinte. Fora do país e sem mandato a partir de fevereiro de 2027, quando termina o atual período no Senado, o senador terá de lidar com as medidas judiciais que motivaram a saída do Brasil.

O próprio partido se distanciou do discurso de fraude. Na quinta-feira (29/10), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse não ter gostado da carta. O líder do PL no Senado, Rogério Marinho, já havia admitido não dispor de provas de fraude, e o partido reconheceu o resultado da eleição.

Flávio deixou o Brasil depois de descumprir a ordem do STF para entregar os passaportes à Polícia Federal (PF). Ele entrou na Argentina na noite de terça-feira (27/10), seguiu para o Equador e desembarcou na Flórida com a família.

 

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