Um carro alegórico da Acadêmicos de Niterói chamou atenção na Marquês de Sapucaí ao trazer, atrás das grades, a figura de um palhaço preso, usando tornozeleira eletrônica danificada – uma alusão clara ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), frequentemente apelidado de “Bozo” por opositores, mas sem qualquer citação direta ao nome dele no desfile.
A alegoria faz parte do enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e traça um painel político recente do país.
No carro, o palhaço aparece sentado, encarcerado, enquanto a sinopse da escola lembra que o Brasil “resistiu também a uma tentativa de golpe de Estado, que levou seus mentores para a prisão”.
A mesma narrativa menciona “retrocessos em políticas públicas” e cenas de fome durante a pandemia, como os brasileiros que chegaram a disputar ossos para se alimentar, além de críticas à desinformação sobre vacinas. “Teve quem dissesse que, ao tomar a vacina, a pessoa poderia virar jacaré”, diz outro trecho do texto da agremiação, reproduzido na avenida.
A crítica não se limita ao carro do “palhaço preso”. Logo na abertura do desfile, a comissão de frente encena a passagem da faixa presidencial: um personagem que representa Lula entrega o símbolo do poder a uma figura inspirada em Dilma Rousseff (PT), reproduzindo a transição ocorrida em 2010, quando o petista lançou a ex-presidente ao Palácio do Planalto.
Em seguida, entra em cena o personagem que remete a Michel Temer (MDB), arrancando a faixa de Dilma, numa referência ao processo de impeachment que marcou a política brasileira na última década.
Em meio às alegorias críticas, o enredo também destaca o retorno de Lula ao comando do país para um terceiro mandato. No último carro, um grande boneco do presidente surge com a faixa presidencial, simbolizando a volta ao Planalto e o projeto político que a escola escolheu exaltar.








