O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (17/06), durante a cúpula do G7 em Évian, na França, que nunca foi “esquerdista”. A declaração ocorreu em uma conversa registrada à margem do encontro internacional.
O diálogo envolveu Lula, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
Na conversa, o presidente brasileiro fez uma leitura sobre a alternância de poder em países como Estados Unidos e França. Segundo Lula, a presença mais longa de governos conservadores ou de centro em algumas democracias indicaria que a política global tende a buscar posições intermediárias.
Foi nesse contexto que ele afirmou que o mundo é “do caminho do meio”.
Kristalina Georgieva comentou que, quando Lula chegou pela primeira vez à Presidência da República, havia uma expectativa internacional de que ele governasse como um líder mais à esquerda.
Lula respondeu de forma direta: “Eu nunca fui esquerdista”.
Em seguida, o presidente associou sua formação política ao movimento sindical. Ele lembrou a relação construída com centrais sindicais europeias, especialmente da Alemanha, da Itália e da Espanha.
Lula também citou um episódio dos anos 1980, quando teria sido convidado para um congresso na Rússia, mas não compareceu porque havia sido condenado com base na Lei de Segurança Nacional.
Ao relembrar esse período, o presidente disse que viajou pela Europa em busca de solidariedade e que, em determinado momento, passou a ser tratado como anticomunista.
A fala ocorre durante a participação de Lula como convidado da cúpula do G7, fórum que reúne algumas das principais economias do mundo. O encontro de 2026 ocorre entre 15 e 17 de junho, na França.
A declaração repercute porque Lula é historicamente associado ao campo da esquerda no Brasil, tanto pela trajetória sindical quanto pela fundação e liderança do Partido dos Trabalhadores (PT).









