O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as duas maiores facções criminosas do país praticam terrorismo nas comunidades onde atuam, mas rejeitou a classificação desses grupos como organizações terroristas nos moldes defendidos pelo governo de Donald Trump. A declaração foi dada em entrevista exibida na noite de domingo (27/9).
Lula se referia ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes (Band). A fala ocorre em meio à discussão sobre enquadrar as facções como terroristas, pedido feito pelos Estados Unidos (EUA) e recusado pelo governo brasileiro.
“Quando eu não concordo que o PCC, o Comando Vermelho, sejam terroristas, é o terrorismo do Trump”, disse Lula. Em seguida, completou: “O nosso terrorismo aqui é para a comunidade”, ao afirmar que a ação das facções impede a população de viver livremente.
Na mesma entrevista, o presidente defendeu a criação de uma “polícia especial” para enfrentar o crime organizado, descrita por ele como “uma Força Nacional capaz de fazer intervenção em qualquer situação”. Lula também disse que, aprovada a proposta de emenda constitucional da segurança pública, o Ministério da Segurança Pública será criado no dia seguinte.
O presidente criticou o uso do Exército em intervenções. “Quando levava o Exército para lá para fazer intervenção, os bandidos saíam”, afirmou. Para Lula, o caminho mais eficaz é a asfixia financeira das facções, já que o crime, segundo ele, “virou uma indústria multinacional”, com presença na Justiça, na polícia e na política.










