O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou para o ministro Flávio Dino durante um evento transmitido ao vivo em Belém, na segunda-feira (28/9), pouco antes de sancionar uma lei proposta por Dino quando ele ainda era senador. A ligação foi criticada pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que questionou a proximidade entre os dois.
Dino integra o Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2024, depois de ter sido ministro da Justiça no atual governo. O evento ocorreu no complexo da Beneficente Portuguesa, na capital paraense, e foi exibido no canal do presidente no YouTube. Lula pediu ao chefe do Cerimonial que fizesse a ligação e, ao ser atendido, anunciou: “Estou em Belém, na Beneficente Portuguesa, e vou sancionar a lei da dor de um pai”. A chamada caiu segundos depois.
A lei cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela iniciativa privada. O projeto foi apresentado por Dino em 19 de fevereiro de 2024 e tem relação com a morte do filho do ministro, aos 13 anos, em um hospital particular de Brasília. “Ela obriga que tenhamos acompanhamento para medir a qualidade do tratamento”, resumiu Lula ao explicar o texto.
O telefonema ocorreu em meio à disputa no STF sobre publicações que associavam Flávio Bolsonaro ao boato de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Dias antes, Dino havia derrubado a ordem do ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que mandava remover os conteúdos. A decisão de Dino foi suspensa depois pelo ministro Luiz Fux.
Nas redes sociais, Flávio reagiu à ligação com ironia. “Será que Dino continua sendo subordinado do Lula no STF?”, questionou o senador.








