Nesta sexta-feira (31/7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a questionar a condução da Operação Lava Jato ao relembrar, durante participação em um podcast, o período em que permaneceu preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
Ao tratar dos impactos da operação, Lula sustentou que as investigações não se limitaram à responsabilização dos empresários e agentes públicos acusados de corrupção. Para o presidente, as medidas adotadas também atingiram diretamente as empresas, os trabalhadores e setores estratégicos da economia brasileira.
“Quebraram muitas empresas”, declarou. Na avaliação do petista, quando uma companhia participa de um esquema criminoso, os responsáveis devem ser investigados e punidos, mas a atividade empresarial e os empregos precisam ser preservados. Lula já havia apresentado a mesma posição em entrevistas e discursos anteriores.
O presidente também voltou a direcionar críticas ao senador Sergio Moro (União Brasil-PR), que comandava os processos da Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba, e ao ex-procurador Deltan Dallagnol, então coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal.
Na versão apresentada por Lula, a operação ganhou projeção política e midiática enquanto provocava o enfraquecimento de grandes empreiteiras e a redução de postos de trabalho. O petista já atribuiu à Lava Jato a eliminação de aproximadamente 4 milhões de empregos, número citado por ele, mas que permanece objeto de divergências entre pesquisadores, economistas e antigos integrantes da investigação.
Lula ficou preso por 580 dias, entre abril de 2018 e novembro de 2019, após a condenação no processo relacionado ao triplex do Guarujá ser confirmada em segunda instância. Na época, o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) permitia o início do cumprimento da pena antes do encerramento de todos os recursos.
Em 2021, o STF anulou as condenações impostas ao petista pela Justiça Federal do Paraná. A Corte concluiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos envolvendo o triplex, o sítio de Atibaia e o Instituto Lula, porque os fatos não apresentavam relação direta com os desvios investigados na Petrobras.
A decisão sobre a incompetência territorial não representou uma absolvição após análise do mérito das acusações. Com a anulação dos atos processuais, porém, as condenações perderam a validade jurídica.
Em outro julgamento, o Supremo confirmou que Sergio Moro agiu com parcialidade na condução do processo do triplex. A decisão anulou os atos praticados pelo ex-juiz nesse caso e foi posteriormente estendida a outras ações relacionadas a Lula.
A Lava Jato foi deflagrada em março de 2014 para investigar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A apuração revelou um esquema envolvendo contratos da Petrobras, empreiteiras, operadores financeiros, executivos e agentes políticos, resultando em prisões, acordos de colaboração e recuperação de recursos. Parte das condenações e medidas tomadas durante a operação foi posteriormente anulada ou revista pela Justiça.
Em maio, depois de Lula fazer críticas semelhantes, Moro rebateu o presidente e defendeu o legado da investigação. O senador afirmou que a operação devolveu bilhões de reais à Petrobras e responsabilizou executivos e antigos dirigentes da estatal.









