O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirma ter pago cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Lula (PT) no exterior.
Os relatos e áudios do banqueiro vieram a público nesta sexta-feira (9/10). Segundo ele, o pagamento foi negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto como condição para que o banco tivesse acesso aos recursos de fundos de pensão de servidores federais. As informações e áudio foram revelados pela Revista Veja.
Nos áudios, Vorcaro diz que o dinheiro foi adiantado ao Instituto Lula, comandado por Paulo Okamotto, e cita ainda outro valor, não revelado, que teria sido pago diretamente à instituição. “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais”, afirma o banqueiro em um dos trechos. Em outro, diz: “Só que o do Lula foi por fora, foi errado”. O documentário citado é “Lula”, dirigido pelo cineasta americano Oliver Stone.
Segundo o relato, além do adiantamento, o acordo previa uma taxa de 10% sobre os valores que o Banco Master captasse com os fundos de previdência. Entre os fundos citados estão Previ, Petros e Postalis. O banco foi incluído na lista de instituições habilitadas a receber esses recursos em abril de 2024.
Vorcaro levou os detalhes à Procuradoria-Geral da República (PGR), que não deu prosseguimento ao caso. O argumento foi a falta de provas, já que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo. A defesa do banqueiro sustenta que haveria mensagens de WhatsApp, registros das pessoas que retiraram o dinheiro e informações sobre os locais e as rotas das entregas.
Lula negou as acusações. Segundo a resposta enviada, o presidente “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”. Até a publicação desta reportagem, o Instituto Lula, Paulo Okamotto, João Vaccari Neto e o PT não haviam se manifestado.
Vorcaro está preso desde março na Papudinha, em Brasília.








