A defesa de Daniel Vorcaro passou a trabalhar para abrir uma nova frente no caso Banco Master: a negociação de um acordo de delação premiada. Segundo o advogado José de Oliveira Lima, que representa o banqueiro, o objetivo é apresentar uma colaboração ampla, sem proteção a aliados ou exclusão de nomes envolvidos no esquema investigado. A informação é do O Globo.
A sinalização da defesa ocorre num momento em que investigadores tratam com cautela a possibilidade de um acordo. Nos bastidores, há desconfiança sobre uma eventual colaboração limitada, que poupe figuras politicamente ligadas ao empresário. Por isso, a fala do advogado tenta afastar desde já a ideia de uma delação parcial ou dirigida.
A expectativa é que, se avançar, a negociação ocorra com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, sob supervisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Também existe a possibilidade de uma colaboração conjunta com João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, que é defendido pelo mesmo advogado.
Vorcaro está preso sob acusação de comandar um esquema de fraude financeira ligado ao Banco Master. As suspeitas apuradas pelas autoridades incluem organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça e invasão de dispositivos informáticos.
De acordo com a investigação, o núcleo do esquema teria operado por meio da criação e venda de títulos de crédito sem lastro real. Na prática, segundo os investigadores, esses papéis eram usados para inflar artificialmente os números do banco, esconder fragilidades financeiras e manter a captação de recursos no mercado com uma aparência de solidez que não corresponderia à situação verdadeira da instituição.









